sol.JPG (17680 bytes)Os Filhos do Divórcio
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  Um tema de grande dimensão e de muito difícil elaboração! A raiz primordial está no início de uma relação de dois futuros pais. Esse início de relação entre dois jovens pode considerar-se a base arquitectónica onde assenta uma conjectura de acontecimentos que se vão processando, e as normais consequências desses acontecimentos, que na hierarquia dos valores dos sentimentos podem ser mais ou menos harmónicos, ou até ... completamente desarmónicos!

  Quando entre um casal, já no mais ou menos longo período de convívio, de "estar", de "andar" sem grandes responsabilidades de família, surgem conflitos com muita frequência, se entre eles não há sintonia de conceitos básicos de Vida, não pode existir harmonia sentimental!

  Quando surgem discussões que se podem tornar violentas iniciadas por ninharias, por situações comezinhas, e que se tornam habituais na relação, seguramente é difícil acertarem o passo na caminhada existencial!

  No entanto insistem na relação, porque ... já têm casa, as famílias estão muito envolvidas, etc. A mulher, muito especialmente, vive muito esperançada numa mudança comportamental quando viverem definitivamente na sua casa sempre juntos, porque ... afinal gostam muito um do outro!? Outra situação muito corrente é alimentarem-se mutuamente de imagens que ostentam como verdade, na intenção de agradar. Parece tudo correr mais ou menos bem, até à convivência diária, no dia a dia a dois com todos os problemas inerentes ao lar, à adaptação a uma nova vida de responsabilidades reais. É difícil, senão impossível, manterem na integra as máscaras, por mais bem montadas que tenham sido e as surpresas frustrantes vão surgindo, com culpabilização recíproca, muitas das mais variadas situações tão correntes como estas são relações de casal de base arquitectónica sem estabilidade nem segurança. Os filhos acontecem ou porque se querem, se desejam ou ... por inúmeras causas cuja exposição já por si, era um artigo bem longo.

  Numa grande maioria dos casos, ao longo do tempo o desinteresse vai-se instalando e a competição entre ambos no "ter razão" avoluma-se nas mentes, num contínuo processo de desconfiança em relação a palavras que se proferem e a actos que se praticam.

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Por vezes o orgulho ergue-se cada vez mais intenso como um muro inquebrantável! Quantos e quantos se acomodam, ainda actualmente, por cobardia, medo das famílias, prisioneiros da opinião pública, agarrado aos "teres" e "haveres", e não são mais que Vidas que se suportam sem sentido de Vida!

  Os filhos lá estão inseguros, bloqueados, captando como esponjas esquemas psíquicos que sentem no ambiente emanado pelos pais (as crianças são verdadeiros radares, captam o que os adultos nem imaginam!). Os filhos lá estão ... amedontrados com as discussões, sem entenderem numa confusão cásticamental que se grava profunda e marcantemente especialmente nas primeiras infâncias. Os pais para justificarem a sua cobardia de se acomodarem ao que dificilmente suportam, aplicam racionalizações justificativas que aquietam a consciência e os fazem sentir-se ainda mais vítimas, pois é pelo bem dos filhos que permanecem juntos!!! Porém as consequências do desamor derramado, alheados aos apelos das crianças que clamam atenção, carinho e lhes passam despercebidos, são também tremendamente funestas. Os especialistas que se dedicam a esses temas em sérias investigações com estatísticas estabelecidas afirmam que a grande maioria dos casais discutem ainda as mesmas questões que já faziam parte do desentendimento dos seus avós: dinheiro, relações familiares, a educação dos filhos, onde o desencontro de opiniões, numa olímpica ignorância sobre o tema, origina as mais desastrosas desavenças que lançam os filhos para uma infelicidade sem tréguas. A acomodação nas condições expostas é também por vezes provocada por causas monetárias, ou por a mulher não trabalhar fora de casa, ou mesmo com os dois a trabalharem no exterior, o rendimento mensal não é suficiente para manterem os compromissos quando separados.

  Actualmente o divórcio é uma constante social. O rompimento familiar afecta as crianças em qualquer idade. Porém a maioria dos filhos de pais divorciados, imaginam, sonham que os seus pais voltarão um dia a reunir-se refazendo o "lar" há muito perdido, sonho esse que é brutal e violentamente contrariado quando um deles casa de novo, e muitas vezes o outro se lhe segue também com novo casamento. O Sr. Benjamim Spock, especialista do comportamento infantil, e autor de vários livros sobre educação e saúde desde o nascimento até à adolescência, afirmou, que com todos os seus conhecimentos, nunca imaginara as dificuldades que se lhe surgiram com uma enteada, depois do seu novo casamento. Ao sentir-se amargamente frustrado após tantas tentativas vãs para conseguir um bom entendimento com a filha da sua nova mulher, procurou aconselhar-se com opiniões de vários especialistas em terapias de família. Aprofundou o tema com a sua própria experiência e concluiu que os padrastos ou madrastas que entram numa família com ilusões de conseguirem tornar-se "superpais" quase sempre (há excepções) sofrem angustiantes e frustrantes desapontamentos.

  Na realidade por muitos que sejam os erros, os pais terão sempre um lugar especial na mente dos filhos que ningém mais consegue igualar; e quando existe o divórcio dos pais, os filhos valorizam mais a importância desses referenciais humanos.

  Todas as crianças experimentam com o divórcio dos pais um sentimento de abandono que pode ser tormentosamente intensificado quando se culpabilizam com um sentimento de culpa irremediável de serem eles a causa da separação dos pais. Situações vividas, diálogos plenos de hostilidade em que as crianças escutam frases como por exemplo: "se não fossem os filhos, não tinha que aturar-te e podia viver a minha vida ..." e outras semelhantes conduzem as crianças ao desespero da culpa. No caso de crianças adoptadas, quando integradas em novas famílias sentem-se em perfeita insegurança e receiam tudo. Quando têm consciência do abandono dos pais naturais, arrastam um trauma, com dificuldade de aceitação da nova situação imposta, e mais tarde as consequências manifestam-se infalivelmente numa rebeldia agressiva, delinquência, dificuldades de aprendizagem, desmotivação por regras sejam quais forem e só quando muito pequenos obedecem por medo dos castigos. Se esses pais adoptivos se divorciam (é o 2º abandono), também desejam que eles se reconciliem. Se aquele com quem vivem mais tempo depois do divórcio se volta a casar, ou passa a viver maritalmente com alguém, o filho adoptivo dificilmente aceita o outro ou a outra e as consequências acima citadas manifestam-se com maior intensidade, acrescentadas por vezes por problemas psicossomáticos que podem transformar uma criança que nasceu saudável num jovem problematicamente doente.

   Muitos investigadores da psicologia familiar como a psicóloga californiana Judith Wallerstein e outros afirmam que existe mais violência na célula familiar do que noutro qualquer grupo social. Após terem sido estudados 6000 lares, um sociólogo conclui que na América, 1,8 mulheres cada ano estão sujeitas a maus tratos físicos graves, não falando nos brutais maus tratos psíquicos, e que os filhos ainda às vezes bem pequenos assistem a estas agressões e são também frequentemente maltratados, e mais frequentemente quando estão no papel de enteados. Em todo o mundo ocidental o número de divórcios aumentou de uma forma geral durante os anos 60 e 70 estabilizando na década de 80. Nos anos 90 o número de divórcios aumentou progressivamente. O egocentrismo inflou, avolumou intensamente e instalou-se como mais um agente deformador das sociedades, que leva os sere humanos a considerarem que a educação e formação dos filhos, que exigem sacrifícios e renúncias é menos importante que a solução dos seus conflitos pessoais, sobretudo os sentimentais e as suas realizações individuais. A violência familiar, especialmente no mundo dos pré-divorciados tem tendência a perpetuar-se, isto é, as crianças maltratadas têm 4 vezes mais probabilidades de, quando crescidas, maltratarem também os seus companheiros e filhos. Mesmo que não sejam maltratados fisicamente, sofrem graves violências emocionais sob a forma de constantes humilhações, desvalorização e críticas, o que pode ser mais desastrosamente deformador da personalidade, que propriamente as agressões físicas. Este mecanismo psíquico de transferência de geração para geração dos maltratados repetirem as mesmas situações nos filhos é constrangedor pois transferem as mesmas vivências emocionalmente devastadoras como um processo inconsciente de libertação. É alarmante, porque a violência está cada vez mais expandida!...

  Quando as crianças perdem os principais referenciais pai e mãe, e a desordem reina nas suas mentes confusas, podem surgir depressões infantis de bastante gravidade e de preocupantes consequências futuras.

  É importante para uma criança e para um adolescente a segurança que lhe dá ter o seu espaço próprio, os seus pontos de referência, o "seu quarto", a "sua casa", o "seu lar".

  Normalmente, salvo raras excepções é a mãe que fica imcubida da custódia dos filhos, que passam com os pais fins de semana e parte das férias. Portanto as crianças adolescentes ficam divididas por duas casas, na generalidade com formas de vida bem diferentes, o que pode criar um foco constante de instabilidade, e de laços afectivos superficiais que ameaçam e dificultam a construção de uma identidade forte.

  Apesar de todos estes tão trágicos incovenientes os psicólogos defendem que uma família com a presença do pai ou da mãe proporciona um ambiente mais saudável para a formação das crianças, do que uma família em guerras conflituosas, constantemente atormentada pelas desavenças do casal.

  É imprescindível, é uma obrigatoriedade humana não dar ao nascimento da criança somente um existir, mas aprender a dar-lhe Vida!

Gia Carneiro Chaves

 

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