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A Bulímia: os delinquentes da alimentação

Um dos grandes flagelos que abundam na humanidade, e que aumentam numa escala assustadora é a Bulímia - a delinquência da alimentação.

Jaques Thomas retrata-nos uma bulímica a quem era pedido um relatório num hospital de Paris. O neurologista observa um caderninho de escola ... Uma letra incisiva e inclinada! Muitas anotações. Entre elas ... "São 23 horas, sinto-me mal, muito mal. Apetece-me atirar tudo ao ar. Isto começou há duas horas. Estava sozinha em casa; fechei-me na cozinha como um pesadelo, mas não deixei de comer, de devorar. Estava enjoada, inchada, feia e pegajosa! Fui provocar os vómitos. Foi o meu quinto acesso de bulímia naquele dia".

A bulímia é uma espécie de toxicomania, sem drogas, um mal estar, uma perturbação psíquica que se traduz por uma espécie de delinquência alimentar. 90% dos bulímicos são mulheres. É um comer ... não por fome, mas por ansiedade, visto os alimentos acalmarem a angústia nos bulímicos.

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A bulímia é uma faceta trágica duma grave depressão psíquica (20% dos bulímicos fazem pelo menos uma tentativa de suicídio).

Tanto as intensas investigações clínicas e psicológicas acerca dos bulímicos, como em relação aos anoréxicos demonstram objectiva e concretamente, através de estatísticas criadas com precisão, que são doenças que se têm alastrado nas últimas décadas duma forma alarmante. Considera-se que actualmente existem nos Estados Unidos cerca de 5 a 6 milhões de bulímicos e que na Alemanha excedem os 300 mil.

Considera-se delinquência alimentar, porque está provado que milhares de pessoas que sofrem de bulímia se escondem para devorarem alimentos que podem ir até 50.000 calorias por dia. Esta doença é conhecida há séculos, mas só nos anos 80 começou a merecer o interesse do corpo clínico. Está provado que atinge cada vez mais camadas da população e que as bulímicas hesitam em tratamentos psicoterápicos e recorrem a processos químicos de emagrecimento.

Por curiosidade, é interessante saber que Jane Fonda foi considerada a mais célebre das bulímicas; ocultou a sua bulímia irreprimível mais de 23 anos; como ela afirma comer sem fome e sem fim, foi o seu terrível pesadelo existencial, desde a adolescência até aos 35 anos: "abandonei-me aos instintos da gula doentia, que é uma dependência tão perigosa como a do álcool, ou de qualquer droga, e tal como estas frustrantes dependências, a bulímia segue lentamente o seu caminho e toma posse das pessoas, até que elas perdem completamente o domínio da sua própria existência..."

Uma bulímica não é obrigatoriamente gorda, pois Jane Fonda era magra. Dedicou-se afincadamente à aeróbica com o pavor de engordar. Por sua vez Marilyn Monroe passava facilmente dos 55 aos 70 ou 80 Kg ao sabor da sua frustrada vida sentimental. A desnutrição afectiva conduz o ser a uma fonte insaciável que é compensada desastrosamente por graves excessos alimentares.

Enclausuradas no seu drama, frequentemente manietadas pela vergonha, escondem-se nas suas orgias alimentares e evitam partilar o seu segredo, seja com quem for. Esta doença começa frequentemente na puberdade, na idade em que a adolescente se fixa no corpo. Segundo a grande psicóloga Yvone Poneet dedicada ao estudo profundo das anoréxicas e das bulímicas, ela afirma: "as bulímicas mesmo que tenham apenas alguns quilos a mais vivem sentindo os seus corpos como se fossem desmedidamente disformes e monstruosos. O corpo torna-se uma obsessão...". A bulímia pode começar por um período de anorexia, isto é, uma perfeita recusa alimentar para emagrecer o mais rapidamente possível. Na maioria dos casos a bulímia manifesta-se após uma dieta.

Há que considerar que nem todas as mulheres estão fisiológica e organicamente preparadas para serem magras e o corpo levanta imediatamente obstáculos e protesta, assim como e mais ainda, todo o mecanismo psíquico, e elas acabam por sucumbir na trágica dependência bulímica. Comem, comem e comem e caem na patologia alimentar.

Segundo Jaques Thomas, um dos grandes investigadores da medicina psicossomática, sabe-se que a bulímia assalta especialmente as mulheres atingidas pelo exército dos medos. Medo de serem, medo de existirem, medo de si mesmas. Elas existem apenas atavés dos pais, dos maridos, do trabalho.

Não conseguindo afirmar-se na intimidade, não chegando a encontrar a sua identidade, estas adolescentes ... ou mulheres acabam por ter comportamentos de fracasso na sua vida afectiva (e unicamente afectiva)!

Quando se empaturram de doces e alimentos, muitas vezes ou quase sempre solitárias nessas orgias, comendo sem destino, as bulímicas tentam neutralizar o sofrimento imenso, incontrolável, tentam abafar as gritantes reclamações afectivas, sem o saberem ou poderem exprimir de outra forma. Em suma os desmedidos excessos alimentares servem de trincheira à sua angústia. Chegam a levantar-se na calada da noite e comerem às escondidas sem se sentirem saciadas. Como se reconciliam consigo próprias? Submeter-se a várias psicoterapias para melhor apagarem a ardósia do passado, pois a bulímia tem a sua motivação nas próprias origens da Vida, uma relação perturbada entre a mãe e a criança desde os primórdios da existência. As psicoterapias podem ser individuais ou em grupo e a sua principal finalidade é ajudar a bulímica ou um possível bulímico a corrigir a imagem pejorativa que tem do seu corpo que chega a odiar num sofrimento atroz. Numa primeira etapa é preciso conseguir que não se empanturrem nem provoquem vómitos. Quanto maior for a distância conseguida entre si e o hábito de se empaturrarem, para frequentemente vomitar depois, mais fácil o existir, e a alimentação saudável acontecerá. A psicoterapia tem também como objectivos ensinar-lhes quem são, quando a confrontação é desejada e assumida, qual é a parte escondida da sua personalidade que elas dificilmente deixam de expressar.

É absolutamente necessário readquirir auto-estima e afirmar a sua real personalidade perante os outros, afirma-nos a psicanalista Catherine Hervais, uma ex-bulímica que decidiu ajudar todas essas mulheres pavorosamente angustiadas mediante uma psicoterapia analítica de grupo, e todas, se quizerem, como todos, podem encontrar a sua verdade!

Gia Carneiro Chaves

 

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