sol.JPG (17680 bytes)Cleptomania
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Tinha prometido escrever a seguir ao último artigo: "Os filhos super-protegidos" um artigo que me parece importantíssimo: "Os filhos do divórcio", mas caros visitantes da minha página, tenho dezenas de consultas, e algumas de longas respostas que me ocupam muitas e muitas horas de trabalho. Verifiquei que alguns dos temas são de interesse geral, e avisando os consultantes, decidi generalizar a informação pedida, que será de útil esclarecimento para tantos outros. Hoje vou responder da melhor maneira aos que me consultaram sobre a Cleptomania, de forma a informar também todos os que tiverem acesso à página e lhes interesse o tema.

A Cleptomania é uma somatização psicogénica por auto-compensação que origina uma tendência contínua de roubar. Normalmente este processo inicia-se na infância e a criança auto-compensa-se por uma profunda falta de afecto, uma carência de carinho e atenção, que a leva por vezes ao desespero. Auto-compensa-se com "coisas" consoante o estado psíquico do momento, num descontrole perfeito, numa ansiedade desenfreada, numa contestação inconsciente, num chamamento de atenção angustiante, porque a criança prefere ser castigada a ser ignorada. O ambiente familiar conflituoso, o egoísmo dos adultos que vivem egocentricamente os seus problemas emocionais, as suas frustrações sentimentais, ignorando os aflitivos apelos de crianças ainda na primeira infância, e continuando no tempo actuações idênticas, levam os pequeninos seres desorientados a uma solidão afectiva, sem entenderem as guerras dos adultos.

Vão somatizando estados de desequilíbrio emocional, de falta de entendimento do que os cerca, de medos pavorosos de conflitos, de gritos, ou até … da guerra fria silenciosa que a criança capta! Vai-se instalando no íntimo do pequenino ser humano, uma incontrolada insegurança, e os medos a vários níveis existenciais tomam dimensões imensuráveis. Uma das várias consequências de todas estas e outras somatizações psicogénicas é a Cleptomania.

Estas auto-compensações cleptómanas numa continuidade passam a ser um Distúrbio de Controle dos Impulsos, que é caracterizado pela impossibilidade de resistir a uma tentação, que funciona como um incontrolado impulso perigoso para o cleptomaníaco, e para os outros, mas que dá, de momento, ao indivíduo uma sensação agradável de prazer, de contestação sem discussão, de alívio de tantas cargas emotivas somatizadas. Estas situações quando atingem maiores dimensões são já actos de deliquência com projecção de críticas e julgamentos a nível social.

Quando criança, no acto cleptómano de tirar "coisas" ela procura inconscientemente algo que lhe falta, algo imprescindível! Surgem os castigos, as críticas aguerridas que aumentam a rebeldia interior, que substituem tristemente o afecto, a atenção, um diálogo esclarecedor e de boa formação de sentimentos e de carácter! E o vazio vivencial intrapsíquico é um tormento!

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Quando criança, no acto cleptómano de tirar "coisas" ela procura inconscientemente algo que lhe falta, algo imprescindível! Surgem os castigos, as críticas aguerridas que aumentam a rebeldia interior, que substituem tristemente o afecto, a atenção, um diálogo esclarecedor e de boa formação de sentimentos e de carácter! E o vazio vivencial intrapsíquico é um tormento!

A insegurança, a instabilidade emocional criada pelo desamor familiar, a incompreensão duma sociedade em desarmonia, leva a uma confusão mental que conduz, por vezes o ser humano a uma delinquência que pode tornar-se perigosa. À partida, o cleptómano satisfaz-se com o facto de se apropriar dum objecto, perdendo depois para ele todo o interesse, podendo dá-lo, escondê-lo, ou deitá-lo fora. Nesta fase se as condições ambientais se tornassem harmónicas, se se agarrasse o indivíduo esclarecendo-o, acarinhando-o, dando-lhe a atenção a que todos têm direito, evitar-se-ia que este ser humano pudesse um dia tornar-se um verdadeiro ladrão! Porque não aprender? Porquê a humanidade não quere adquirir conhecimentos, para além da ânsia do ter, da projecção social das carreiras, do sobreviver biológico? Porquê não aprender a dar aos pequeninos seres que colocam no espaço planetário em que se deslocam, os alimentos afectivos, as imprescindíveis atenções, os sábios diálogos que dão confiança e segurança aos filhos, que na mais tenra idade nos seus pais tanto confiam?!

Porquê a maior parte da humanidade alimenta o egoísmo, o egocentrismo, alheando-se da maioria de factores humanos que a circundam, vivendo quase obsessivamente os seus conflitos individuais, as suas frustrações sentimentais, as guerras laborais e materiais, etc, etc?!

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Poderia falar dos juízos judiciais, que sem prévias e profundas análises psicológicas condenam pela concreticidade e objectividade do acto! E normalmente com uma lentidão, uma injustificada demora, em que semanas originam meses e os meses se transformam em anos.

É um acto cometido num tempo que já foi um Antes, um tanto longínquo, poderia ser outro acontecimento diferente no Agora. Tudo no Universo está em mutação excepto, por enquanto, as longas demoras de análises e estudos judiciais que perdem os valores reais e a confiança dos juízos de valores emitidos. E esses humanos condenados à espera da justiça legal, esses humanos, já prisioneiros desde longa data dos seus tormentos, injustiçados e maltratados por uma humanidade na sua grande maioria desumanizada, não nasceram criminosos, nem ladrões! Nasceram para a Vida, para a esperança que lhe foi arrancada lenta e gradualmente sem tomadas de consciência dos adultos que geriam as vidas de seres indefesos e à partida confiantes. Acabam fisicamente encarcerados e limitados sem recuperação ou cura psicológica, nem hipóteses de Vida, que perdeu para eles o seu real e verdadeiro sentido. A ternura que poderiam ter albergado um dia acaba por se transformar em ódio e vingança, os sentimentos que fazem parte da estrutura psíquica humana uns vão-se diluindo, e as revoltas transformam outros.

É fundamental e absolutamente necessário aprender e ensinar na hierarquia de valores humanos, os que são na essência a Verdade para criar seres humanos emocionalmente equilibrados, sublimando o menos correcto, desenvolvendo o que de maravilhoso a criança normal traz quando chega a este mundo, que conduza à Paz interior, ao equilíbrio de cada um, e a Paz de cada indivíduo somatizada será indubitavelmente a Paz entre os Homens!

Gia Carneiro Chaves

 

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