sol.JPG (17680 bytes)Cólites
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A grande rebelião do ventre:

AS CÓLITES

 

  Actualmente os distúrbios gastrointestinais constituem as doenças psicossomáticas mais frequentes. Representam um quarto da clientela dos clínicos gerais e 80% dos gastroenterologistas. Há muito tempo que é conhecido o impacto das emoções no tubo digestivo. O fígado, o estômago, os intestinos, especificamente o cólon – são orgãos alvo das nevroses, os que suportam o fardo da instabilidade emocional, da insatisfação, do tédio, das trágicas angústias … Legiões de homens e mulheres realizam assim a viagem mental para o campo abdominal, e até a fraseologia do empirismo popular é bem expressiva desta realidade: "tenho um nó no estômago"; "esta atitude dá-me vontade de vomitar"; "este indivíduo dá-me cólicas"; etc. Todas estas locuções são demonstrativas de quanto as nossas vísceras são afectadas pelos conflitos emocionais, nomeadamente o "stress" que favorece as secreções ácidas do estômago. Temos esta experiência: um médico americano introduziu bário líquido e seguiu radiologicamente o trânsito intestinal na alimentação de dois grupos de gatos. O primeiro grupo, deixou-o digerir em paz numa atmosfera confortável; o segundo grupo, pelo contrário, foi bombardeado com estímulos sonoros e luminosos desagradáveis. Nestes, evidentemente os alimentos ficaram retidos a todos os níveis, esófago, estômago, cólon, etc. Os mesmos fenómenos verificam-se a níveis humanos.

 

  O sistema digestivo, que vai desde a boca até ao ânus, é um imenso teclado psicoafectivo, no qual se exprimem as mais diversas indisposições e também as mais estranhas, como a glossodinia ou "síndroma da língua queimada". O paciente sofre de uma dor autêntica, aguda, e no entanto não se verificam lesões na língua. Esta afecção é bastante frequente na mulher durante a menopausa e está perfeitamente relacionada com tendências depressivas ocultas. É também muito preocupante a dor no ânus. Este sintoma está por sua vez relacionado com dificuldades sexuais.

 

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  Muito frequentes são as úlceras do estômago que aumentam cerca de 250.000 novos casos por ano, a cólite quase generalizada nas populações, a prisão de ventre psicogénica.

  Para melhor compreender estes distúrbios psicossomáticos, é preciso recuar no tempo, até às primeiras semanas de Vida. Toda a Vida afectiva, emocional ou de relação do lactante, com efeito gira em volta do tubo digestivo, sendo o seio materno, o biberão, sinónimos de prazer, de carinho, de segurança. Se há um atraso na mamada, produz-se uma sensação de frustração, que vai traduzir-se num choro encolorizado. Algum tempo mais tarde, o bebé terá que enfrentar o problema da defecação, da aprendizagem do asseio e, normalmente, a mãe torna-se autoritária impondo regras. É dentro do plano digestivo que a criança vai aprendendo a obedecer aos imperativos da sociedade. Nos primórdios da existência existe uma estreita e profunda relação entre os factores digestivos e os factores psíquicos. Vai conservando através do tempo, até adulto, as marcas das mais remotas experiências infantis, toda a ansiedade sentida, das angústias vividas, frustrações, medos, complexos adquiridos e os múltiplos exercícios de maus estares da imensa esfera psíquica, incluíndo simultaneamente as dificuldades de relacionamento, factores estes, que poderão reflectir-se na esfera digestiva. Assim, úlceras, cólites, dispeneia, nó na garganta, dilatação no estômago, tumores, dores no ventre com sensações persistentes de flatulência, gastrites, as quais podem surgir com ingestões demasiadas de aspirinas ou alcóol, são psicossomáticas quase generalizadas na humanidade.

 

  Cólite - também chamada nevrose cólica ou espamofília intestinal, é de facto uma doença nervosa que atinge todas as pessoas ansiosas. Como a cólite tende a tornar-se crónica, o doente pode vir a cair na hipocondria: fica obcecado com a saúde, centraliza toda a sua atenção no "cólon queixoso" e receia que tudo lhe faça mal a nível alimentar.

 

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  Geralmente, o colítico é hipocondríaco e cujo perfil psicológico é expresso no indivíduo que aborrece toda a gente, porque obcecadamente descreve as suas dispepsias, todo o trato intestinal, os seus constantes maus estares nos mais demorados relatos. Não admite que a causa é psíquica, que só "existe na sua cabeça", pois pode tornar-se verdadeiramente agressivo. Muitos e profundos estudos psicossomáticos têm tentado esboçar o perfil psicológico confuso do colítico. É sempre um ser depressivo, inseguro, instável e dependente. Segundo o Dr. Slaughter "é um indivíduo hipersensível, sempre pronto a considerar as palavras ou os actos dos que o rodeiam como ameaças a si dirigidas". Evita as emoções e os choques … assim, psiquicamente mergulhado em si mesmo, vai acumulando ressentimentos e ansiedades agravadas com mórbidos estados de angústia; a tensão emocional cresce frequentemente, provocando o desequilíbrio do sistema neuro-vegetativo. Portanto, a parte baixa do cólon é bombardeada por descargas contínuas de energia nervosa, produzindo espasmos que podem, além de dores, ocasionar a prisão de ventre. Se esse bombardeamento, de desgastantes descargas emocionais, for muito contínuo pode ocasionar graves lesões orgânicas. Ocorrem diarreias, frequentemente provocadas por desequilíbrios emocionais de sofredora ansiedade.

  A cólite é normalmente sinónimo de medos nascidos em passados remotos que se podem prolongar no presente. (Um estudo que incidiu em 230 crianças, com dificuldades escolares, revelou que 82% sofriam de cólon irritável).

  A cólite é portanto uma inflamação do cólon e as formas mais comuns são a cólite mucosa e a cólite ulcerosa.

  A cólite mucosa, ou cólite irritável, é uma perturbação intermitente ou constante do cólon, e clinicamente admite-se ser resultante duma disfunção do sistema nervoso autónomo do cólon. Manifesta-se frequentemente quando a pessoa está sob "stress", revela sintomas como dores abdominais, insónia, fadiga, dor de cabeça, diarreia alternando com obstipação. O tratamento costuma ser orientado no sentido de distonia nervosa.

  A cólite ulcerosa é grave e actualmente muito frequente. Clinicamente caracteriza-se por diarreia, de muitas dejecções diárias de fezes líquidas, semi-líquidas, com mucos e sangue. A diarreia pode produzir desidratação e desnutrição, e a perda de sangue conduz à anemia. O diagnóstico é essencialmente radiológico e endoscópio.

  Ainda sobre a prisão de ventre, é de considerar que o trânsito intestinal é variável e considera-se que um indivíduo está sujeito a esta enfermidade desde que evacue menos de 3 vezes por semana. As obstipações psicógenas, que podem surgir em pessoas de aparência perfeitamente normal, verificam-se especialmente durante viagens ou mudanças de hábitos rotineiros. Considera-se psicologicamente uma causa importante da prisão de ventre uma construção gradual duma mãe demasiado preocupada com o funcionamento intestinal do filho: a evacuação diária, a sua qualidade e consistência, são objecto duma vigilância obsessiva, que pode ir até à estimulação com supositórios de glicerina e outros laxantes. Depois … acrescentando os desequilíbrios alimentares, a sedentariedade e, ainda as obsessões fecais, os rituais de defecação, a obsessão de vigiar o número de vezes de evacuações, agravam uma prisão de ventre que se vai formando e acabam por formar a cólite medicamentosa.

  Sabe-se, depois de profundas investigações, que o intestino reflecte os estados psíquicos do indivíduo. O enfermo com obstipação exprime a retenção, a desconfiança em relação aos outros, o egoísmo tão generalizado na humanidade!

  Diz-nos Jacques Thomas: "Como não espera nada dos outros, nem os excrementos cede e retém-nos". A relação fezes-dinheiro é também fácil de analisar pela frequência e generalidade que o avarento, o mesquinho agarrado ao dinheiro com medo de este lhe faltar, a sofreguidão de o ter guardado, por reflexo no corpo retém os dejectos também como se tivessem um valor real, tornando-se na medicina psicossomática avaliada a situação duma forma um tanto irónica, que a prisão de ventre é a avareza do canal intestinal. Também convém saber que 80 a 90% dos que sofrem de prisão de ventre, apresentam um fundo de grande ansiedade quase permanente.

Gia Carneiro Chaves

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