O
SONO
Antes
de iniciarmos a exposição destes distúrbios, é imprescindível falar-vos do
Sono
e suas fases.
O
Sono
é considerado um estado natural de diminuição de consciência e redução do
metabolismo. No inicio da década de 50 o
pioneiro do estudo do sono Nathaniel Kleitman e o seu assistente Eugene
Aserinsky descobriram através de demorados e profundos estudos das ondas
cerebrais durante o sono com o emprego continuo de E.E.G. que durante o
sono, o cérebro fervilha de actividade o que abalou de uma vez por todas que
o sono é um período em que o cérebro “descansa”. Começam por estudar o sono
nos bebés e observam fenómenos idênticos que no sono dos adultos. Observaram
que enquanto se dorme há alternância de fases de traçados E.E.G muito lentos
e traçados muito rápidos.

Os períodos de traçados rápidos estão associados a
movimentos particulares dos globos oculares, por vezes dessincronizados da
direita para esquerda e de cima para baixo. Durante esta fase do sono a
maioria da actividade muscular cessa, aumenta a actividade cerebral e os
cientistas deram a este período do sono dois nomes:
Sono
REM
(movimento rápido dos olhos) e também sono paradoxal porque parece
encontrarmo-nos em sono profundo, mas na realidade, o nosso cérebro trabalha
aceleradamente. As pessoas que são acordadas durante o Sono REM revelam
imediatamente o que estavam a sonhar. Esta é a fase em que se dá a maioria,
mas não a totalidade dos sonhos. O Sono REM é essencial, porque acordada uma
pessoa repentinamente no início desse sono produz depressão, angústia e
fadiga desproporcional à quantidade de sono perdido. O Sono REM corresponde
como já afirmei, a períodos de intensa actividade cerebral e interrompe
periodicamente o outro tipo de sono - o Sono Não REM (NREM). O primeiro
período REM ocorre habitualmente 90 a 100 minutos após o inicio do sono e
dura entre 5 a 10 minutos. Os períodos do sono REM aumentam à medida que o
sono progride. O último dos 4 ou 5 períodos REM habituais duma noite pode
durar cerca de 1 hora. O Sono REM ocupa cerca de metade do tempo do sono das
crianças e cerca de 1/5 dos adultos. Normalmente é durante o sono REM que
ocorrem os pesadelos visto ser o período dos sonhos, os quais pela sua
intensidade desagradável são relembrados como verdadeiras sensações de
angústia.
O sono contraposto ao sono REM é o
Sono
NREM. Este
sono representa a maior parte do período do sono e inicia-se por um estado
transitório de sonolência, no qual as ondas cerebrais se tornam mais amplas
e mais lentas, até que a actividade cerebral e o metabolismo atingem os seus
níveis mais baixos. Neste período de sono não se registam sonhos. Um ciclo NREM consiste num período de sono tranquilo com respiração cadenciada e
pouco movimento do corpo. É nesta fase do sono que os sentidos se encontram
na sua fase menos responsiva. Curiosamente é neste período que as pessoas
habitualmente ressonam. Tudo muda com o início do sono REM: o ressonar
cessa, o afluxo do sangue ao cérebro aumenta e a temperatura sobe; os
músculos faciais e das pontas dos dedos podem sofrer contracções. Também é
de considerar que os braços, as pernas e o tronco, que podem mover-se
durante o sono NREM ficam habitualmente paralisados durante o sono REM.
Esquematização do CICLO
do SONO:

Porque
necessitamos
tanto do
SONO?
O bom senso
diz-nos que precisamos do sono para funcionar bem. Há algo ainda de
misterioso no fenómeno do sono, embora os cientistas estejam em boas pistas
de dados fascinantes sobre os poderes restauradores do sono. Durante o dia,
por exemplo há certas hormonas que se esgotam, mas enquanto dormimos novas
hormonas são segregadas pelo sistema endocrínico, entre elas, a
SOMATOTROPINA, substância que promove o crescimento e é segregada pela
hipófise durante o sono NREM. Os investigadores destes fenómenos tão
complexos do sono já afirmam que este pode ser um período em que o
crescimento de certos tipos de células se acelera e o organismo se liberta
de subprodutos nocivos acumulados durante as horas de vigília. Também há
quem afirme que o sono pode aumentar a nossa capacidade de recordar.
O processo de
adormecimento é complicado e extremamente activo. Além disso não se processa
de forma gradual, mas bruscamente, no sentido que em dado momento estamos na
realidade acordados, embora sonolentos e no momento seguinte ficamos
completamente a dormir. Verificou-se por investigações modernas e
científicas que o sono ajuda a combater a doença e as infecções. Provou-se
que durante o período do sono certas substâncias do organismo, como por
exemplo os peptídos que são soníferos naturais, são produzidos durante este
período. Sabe-se também que estes compostos, que contêm aminoácidos ajudam o
sistema imunológico, aumentando a produção de anticorpos.
Noutro artigo
mencionarei os centros que comandam as actividades do sono. Agora
continuaremos a focalizar simplesmente o sono em si. Passar sem dormir não é
nada de novo na experiência humana. No entanto, só na segunda metade do
século XX o sono começou a ser estudado e abordado de forma cientifica.
Desde então têm surgido por todo o mundo centenas de laboratórios de sono
para estudar a natureza e a função do sono nos sonhos. A descoberta do sono
REM em 1952 deu o primeiro grande impulso às investigações sobre o sono. O
Dr. William C. Dement um proeminente investigador do sono confirmou com as
suas experiências que a privação do sono pode levar à
Paranóia. Relatou que, após um período de 48 horas sem dormir: “fico às
vezes com certas suspeitas que os meus colegas de dormitório me são hostis e
conspiram contra mim”. Há outras consequências da falta do sono, por exemplo
focar a visão e o desejo de comer aumenta; há também mais sensibilidade à
dor.
Num estudo
sobre soldados envolvidos em exercícios bélicos, o Exército Israelita
relatou que os homens que não tinham dormido não perderam só a habilidade de
bons atiradores, mas tinham tendência para ignorar ou esquecer aspectos de
sobrevivência básicos, como por exemplo, encher os cantis de água
(indispensáveis na guerra do deserto). Assim, embora determinadas faculdades
possam não diminuir, sem dúvida a falta do sono, seguramente diminui a
autodisciplina, a força de vontade, situações de controlo emocional. Se for
de curto prazo essa falta de sono, não deixa graves sequelas que uma noite
de bom sono pode recuperar. William Dement depois de várias experiências
humanas afirmou que quando somos privados do sono e de sonhar (acordando um
voluntário várias vezes no sono REM para o impedir de sonhar) concluiu que
com essas privações deixamos de funcionar nas melhores condições humanas.
As funções do
sono são de considerar e de ter bem em conta. Já se afirmou que o sono é uma
necessidade fundamental do Homem como se prova pelos efeitos nocivos da
privação do mesmo. Ainda não se conhece com toda a exactidão e precisão de
que forma ele é tão benéfico, ou porque razão alguns indivíduos extremamente
raros dormem muito pouco e não são prejudicados por isso. É óbvio,
perfeitamente racional de que as células neuronais e os processos
metabólicos exigem pausas periódicas para funcionarem convenientemente, e é
também possível que o sonho seja necessário para permitir o processamento
das informações adquiridas durante as horas de vigília susceptíveis de as
tornar compreensíveis e utilizáveis posteriormente.
No próximo artigo entraremos
nos vários Distúrbios
do Sono.