sol.JPG (17680 bytes)Manias e Fobias
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Fala-se muito por aí em manias e fobias, mas duma forma tão leve e linear!!! Na verdade abundam nesta época conturbada e confusa em que a consciência real dos factos fica para além da consciência real de cada um! Vou tentar resumir o mais e o melhor que me for possível o que na verdade psíquica significa cada uma.

As Manias são desordens mentais que se podem manifestar pela repetição impulsiva de actos esquisitos como por exemplo: a mania de cuspir repetidamente, a mania da perseguição em que o indivíduo se sente frequentemente perseguido por intenções e actos dos que o rodeiam; a mania das limpezas que pode conduzir a uma fobia escravizante. Há pessoas que vivem mortificadas limpando, limpando o que muitas vezes está limpo, vendo sujidade insuportável na mais pequena poeira. A mania de limpar as maçanetas das portas que leva à fobia dos micróbios e doenças por eles produzidas (nosofobias). É bom salientar que as manias quando muito agravadas podem tornar-se em obsessões fóbicas.

A mania das limpezas conduz a pessoa ao extremo, de, por mais cansada que esteja, não se deita para descansar, porque não consegue dormir sem limpar o que a sua mente doente considera menos limpo e sem cumprir os afazeres a que se propôs como necessários ao dia de trabalho doméstico. Limpam e arrumam constantemente numa ansiedade sem tréguas. Segundo vários psicanalistas e após investigações profundas neste sentido, não é o exterior que está sujo, mas as profundezas da mente. Limpam afanosamente o exterior, porque na realidade desejam desesperadamente limpar o interior. Pessoas que têm a mania de constantemente pretender mudar o "visual", e pouco depois já não se sentem confortáveis, e vão comprar roupas, mudar o penteado, transformar, transformar, quando a nível inconsciente há uma ansiosa e premente reclamação duma mudança e transformação interior. Outras mudam os móveis da casa numa canseira de encontrar o equilíbrio e a estética que procuram; a mudança e a estética que inconscientemente reclamam é no Eu interior. Não se encontram, há uma desorientação profunda na actividade psíquica de que não têm consciência.

As manias podem em casos limites levar a certas formas de psicose que são designadas por maniaco-depressivas. Tanto as manias como as fobias são angustiantemente escravizantes.

As Fobias são mais graves e são consideradas neuroses de obsessão. A Fobia é acompanhada dum medo exagerado e persistente que não tem limites em relação às causas que o produzem. Medo dos bichos, como cobras, ratos, certos insectos, etc; medo do escuro; medo de andar na rua; medo de andar de avião, e medos apavorantes de fazer curtas viagens de carro; medo mórbido e aterrador que acompanha a Vida de ser enterrado vivo; medo apavorante da morte que não deixa viver um segundo; medo do contágio dos micróbios; etc … pois o exército de medos é confrangedoramente quase ilimitado. Os perigos que parecem provir desses medos de seres, objectos ou situações, mascaram por vezes um perigo simbólico.

Um exemplo esclarecedor deste simbolismo é-nos dado pela primeira criança que foi psicanalizada por Freud. O pequeno Hans sentia um medo angustiante dos cavalos, embora lhe despertassem também um interesse muito vivo. Pela psicanálise Freudiana demonstrou-se que o cavalo simbolicamente tinha tomado o lugar do pai e a fobia era motivada pela angústia do medo da castração com que o pai parecia ameaçá-lo. O cavalo tornara-se para o pequeno Hans o símbolo do pai, ao mesmo tempo motivo de interesse, mas temido e de certo modo rejeitado. Qualquer fobia gera uma angústia que ultrapassa de longe o perigo real que as situações possam implicar. É muito difícil dizer qual é o objecto exacto da fobia, porque a fobia pode mascarar de facto um perigo simbólico. No entanto o fóbico vive angustiantemente aterrorizado por perigos que criou imaginariamente ao longo do agravamento dum processo neurótico, que pode conduzir a uma neurose fóbica-obsessiva. Tanto as manias como as fobias são mais ou menos graves manifestações neuróticas.

Há vários tipos de fobias, sendo talvez a mais conhecida e falada a Claustrofobia, que gera uma angústia tremenda que o indivíduo sente em lugares fechados. Segundo a psicologia Junguiana, o medo aterrorizante que domina a pessoa que se sente fechada pode-a levar a cometer os actos mais alucinantes e está relacionado com o nascimento. Várias investigações provam que está relacionado com a estreiteza da vagina, que comprime, pressiona e causa profundo mau-estar à criança quando nasce, confundindo-se então com a angústia do bebé ao passar por um canal tão estreito, e o desejo irreprimível de voltar à segurança do ventre materno. Esta ambivalência agrava a fobia. Se posteriormente a formação e o desabrochar do Ser fôr de descompressão, de descontracção, de libertação, esta fobia dilui-se. Na verdade a claustrofobia está basicamente no fenómeno do nascimento, que causas posteriores, num processo neurótico, e por ab-reacção psicológica leva o indivíduo a potencializar a vivência claustrofóbica. Esta fobia de pavor angustiante também se pode manifestar nas multidões, como por exemplo num meio de transporte cheio de pessoas, onde o claustrofóbico se sente apavoradamente aprisionado. Até numa densa fila de carros numa ponte se pode processar o mesmo efeito.

A Agorafobia, que é a angústia inversa da claustrofobia, que é o medo de espaços abertos e amplos. O pavor angustiante não se relaciona com o lugar em si mesmo, mas com algo como enfrentar o desconhecido sem limites para ele, e o angustiado atacado deste género de fobia não quer deslocar-se sem ajuda ou sem direcção num espaço aberto. Este medo do desconhecido fá-lo sentir desesperadamente por vezes perigos imprevisíveis, que mesmo no horizonte amplo do alto duma montanha pode sentir tremenda falta de ar.

Há inúmeras fobias causadoras de grande sofrimento, e investigações profundas das neuroses que envolvem fobias e também manias revelam quase sempre impressões gravadas no passado. O medo é sem dúvida uma forma de objectivar angústias.

Estas são as mais conhecidas fobias embora outras existam como:

  1. Altofobia – medo das alturas;

  2. Antrofobia – medo de enfrentar a sociedade que leva o indivíduo a trágicas solidões;

  3. Gerontofobia – medo de envelhecer … e até do convívio com pessoas idosas;

  4. Necrofobia – o terrífico medo da morte e até dos mortos;

  5. Talassofobia – medo das águas, rios, etc.

Depois com toda a minha boa vontade esclarecerei o que são processos neuróticos perfeitamente generalizados nas sociedades desencontradas em que vivemos!

Gia Carneiro Chaves

 

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