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Há muito tempo que me encontro ausente. Alguns visitantes do meu site
possivelmente já se esqueceram de mim. Eu não me esqueci de vós. Primeiro as
centenas de questões que me iam colocando ocupavam-me horas e horas dos meus
dias e depois de tanto trabalho conclui que muitas eram desnecessárias, porque
nos artigos que escrevo procuro ir de encontro às mais variadas necessidades,
mas cada ser humano é um mundo e encontra sempre particularidades que necessita
questionar e lá vêm as folhas e folhas de casos particulares, o que não me é
possível dar resposta a todos. Se lerem com atenção, mas muita atenção o artigo,
verão que encontram as respostas que pretendem. Não me é possível por absoluta
falta de tempo responder com todos os pormenores como fazia há uns tempos atrás.
Desde já as minhas desculpas. A maioria nem acusava a recepção duma verdadeira
consulta por escrito, por vezes bem extensa que eu enviava e nem um vulgar
“obrigada”. Depois surgiu o lançamento do meu livro que também me ocupou
bastante tempo que talvez vos interessasse ler: “O
Poder do Psiquismo – perguntas e respostas”
é este o seu título. Com toda a minha frontalidade falei-vos das principais
razões desta ausência, mas continuo a estar convosco. Hoje vou comentar algo
sobre uma enfermidade que se avoluma na humanidade:
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A
Hipocondria |

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É um medo por
vezes sem justificação, mas que convence que se sofre duma doença grave,
embora depois de avaliado clinicamente nada se encontre. É na verdade uma
condição neurótica caracterizada por uma pessoa preocupar-se exageradamente
com a sua saúde física, acabando por sentir todas as enfermidades que o
mundo à sua volta se queixa. Manifesta uma profunda ansiedade, sempre
atemorizada com um estado de hipotética invalidez, de dores que ainda não
existem, vivendo sempre um mau-estar físico, e o mais trágico, na grande
maioria dos casos, o medo terrorífico da morte!
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Os hipocondríacos
sempre angustiantemente preocupados com a sua saúde procuram constantemente
consultas médicas, submetem-se a numerosos testes e tratamentos numa busca
incessante de tranquilização médica para as suas dúvidas, ou acabam por
encontrar um médico que finalmente faça o diagnóstico temido, sempre
presente obcecadamente gravado na sua mente, num conflito intrapsíquico de
atracção-repulsão inconsciente ou conscientemente desejado. |
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Possivelmente
aqueles que nunca tiveram a atenção afectiva tão ambicionada e naturalmente
que lhes é devida, a enfermidade pode ser o chamariz dessa atenção tão
desejada! A solidão afectiva nas crianças leva-as muitas vezes a
queixarem-se de dores que ainda não existem, de indisposições físicas
imaginárias, para que os adultos olhem para elas, e surja a atenção desejada
pela criança que normalmente é ignorada. Com a continuidade o físico começa
mesmo a ser afectado pois tanto diz que lhe dói, que está mal, que a força
da mente domina o corpo! Outra causa que pode originar mais tarde
hipocondria, é o contrário da exposta atrás: uma normal doença infantil
torna-se objecto de tanta atenção e mimo, de hiperpreocupação e cuidados
exagerados, que pode desenvolver mais tarde uma preocupação mórbida acerca
das doenças que podem surgir na criança; esta vai assimilando, e a mais
pequenina ferida é motivo de gritos e constantes desinfecções numa angústia
apavorante! Admite-se portanto com provas justificativas que a hipocondria,
como disse atrás, é mais comum em pessoas que na infância poderiam ter tido
uma real enfermidade orgânica, ou também que foram submetidas a uma
superprotecção, a uma vigilância exagerada e ansiosa sobre o seu estado de
saúde. Outra causa é o contacto de crianças desde tenra idade, com a
angústia de familiares que de perto estavam sempre ou realmente enfermos num
ambiente de sofrimento, ou então queixando-se num mundo de lamentações de
dores, de males criando um doentio e mórbido ambiente bem nefasto e trágico
por vezes para essas crianças que nele vivem! Mais uma vez, como tantas
centenas de “outras vezes” a criança é vítima da ignorância, e das situações
básicas daquelas que as lançaram no caos do mundo. Também nas pessoas idosas
pode surgir hipocondria, e uma das causas vulgares da doença é a sua triste
solidão e queixam-se, lamentam-se com dores e mal-estar físico, num
chamamento de atenção à sua pessoa quase ignorada!
Os hipocondríacos
como sentem profundamente que o seu estado de saúde é mais ou menos
angustiantemente preocupante, vivem quase sempre atemorizados em contrair
doenças graves, e podem centrar-se num determinado órgão ou numa só doença
como no caso da
Neurose Cardíaca. Segundo a medicina convencional, esta
opina que a hipocondria pode surgir de outros distúrbios neuróticos, como
fobias, ansiedade generalizada, neurose obsessiva compulsiva, e até pode
estar ligada à esquizofrenia, à depressão, a doenças cerebrais orgânicas,
como a demência e tumores cerebrais.
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Está psicologicamente provado que esta doença
pode alterar a personalidade. Certos doentes ao
verem-se num estado de total dependência podem regredir e tornarem-se
extremamente infantis, egoístas, num egocentrismo que o seu mundo não é mais
que a sua própria pessoa. |
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Outros, criam uma
solidão, que aceitam de bom grado o internamento num hospital onde se sentem
mais acompanhados. Outros procuram a própria solidão, para melhor se
analisarem a si próprios, porque pensam e sentem que ninguém melhor que eles
poderia desempenhar esse papel. Preferem que não hajam espectadores da sua
tragédia! Quando esta doença toma conta de alguém, sempre que é necessário
resolver uma situação, tomar uma decisão importantes, preferem adiar, adiar
o mais possível, porque está demonstrado que a hipocondria diminui as
faculdades de raciocínio.
Como mencionei a
Neurose Cardíaca, penso que pode ser interessante para quem não conhece
falar um pouco sobre esta matéria, esclarecer resumidamente algo sobre:
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A principal causa
desta neurose é a ansiedade e apreensão excessivas sobre o funcionamento do
coração, um medo incontrolável, um pavor angustiante de ter um enfarte, de
morrer com algo cardíaco. Pode surgir após a pessoa ter sofrido na realidade
qualquer perturbação, ou mesmo um ataque cardíaco, e o medo apoderar-se dela
num receio constante duma nova recaída, mas também se verifica em pessoas
que nunca sofreram de doenças do coração. O doente queixa-se de dor ou
sensação de aperto no peito, palpitações ou dificuldades respiratórias,
letargia (sensação de cansaço, sonolência ou falta de energia). Passa a
evitar qualquer esforço, mede frequentemente as pulsações, sente-se
incapacitado para o trabalho, vivendo sempre no medo de intensificar
sintomas e desencadear qualquer ataque cardíaco. Só com psicoterapias muito
específicas ajudam o doente a controlar a sua ansiedade, a dominar os medos,
ajudando-o a encontrar a sua actividade normal.
É bom saber que as doenças são susceptíveis de atacar as pessoas
consoante as suas mais importantes actividades psíquicas, muitas adquiridas
por processos educacionais e ambientais desde as remotas infâncias! Assim a
neurose cardíaca tem mais probabilidades de surgir com mais ou menos
intensidade em seres humanos impacientes, irritáveis, agressivos por vezes,
ambiciosos e frustrados numa revolta por não conseguirem, por se sentirem
incapacitados de satisfazer as suas ambições …
E assim vamos rolando neste planeta tão enfermo, em viagens à volta
do Sol, ano após ano … à espera uns nem sabem bem de quê?! outros mais
vencidos e desmotivados! |
Gia Carneiro Chaves

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