sol.JPG (17680 bytes)Hipocondria
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Há muito tempo que me encontro ausente. Alguns visitantes do meu site possivelmente já se esqueceram de mim. Eu não me esqueci de vós. Primeiro as centenas de questões que me iam colocando ocupavam-me horas e horas dos meus dias e depois de tanto trabalho conclui que muitas eram desnecessárias, porque nos artigos que escrevo procuro ir de encontro às mais variadas necessidades, mas cada ser humano é um mundo e encontra sempre particularidades que necessita questionar e lá vêm as folhas e folhas de casos particulares, o que não me é possível dar resposta a todos. Se lerem com atenção, mas muita atenção o artigo, verão que encontram as respostas que pretendem. Não me é possível por absoluta falta de tempo responder com todos os pormenores como fazia há uns tempos atrás. Desde já as minhas desculpas. A maioria nem acusava a recepção duma verdadeira consulta por escrito, por vezes bem extensa que eu enviava e nem um vulgar “obrigada”. Depois surgiu o lançamento do meu livro que também me ocupou bastante tempo que talvez vos interessasse ler: “O Poder do Psiquismo – perguntas e respostas” é este o seu título. Com toda a minha frontalidade falei-vos das principais razões desta ausência, mas continuo a estar convosco. Hoje vou comentar algo sobre uma enfermidade que se avoluma na humanidade:

 

A Hipocondria

 

  É um medo por vezes sem justificação, mas que convence que se sofre duma doença grave, embora depois de avaliado clinicamente nada se encontre. É na verdade uma condição neurótica caracterizada por uma pessoa preocupar-se exageradamente com a sua saúde física, acabando por sentir todas as enfermidades que o mundo à sua volta se queixa. Manifesta uma profunda ansiedade, sempre atemorizada com um estado de hipotética invalidez, de dores que ainda não existem, vivendo sempre um mau-estar físico, e o mais trágico, na grande maioria dos casos, o medo terrorífico da morte!

 Os hipocondríacos sempre angustiantemente preocupados com a sua saúde procuram constantemente consultas médicas, submetem-se a numerosos testes e tratamentos numa busca incessante de tranquilização médica para as suas dúvidas, ou acabam por encontrar um médico que finalmente faça o diagnóstico temido, sempre presente obcecadamente gravado na sua mente, num conflito intrapsíquico de atracção-repulsão inconsciente ou conscientemente desejado.

  Possivelmente aqueles que nunca tiveram a atenção afectiva tão ambicionada e naturalmente que lhes é devida, a enfermidade pode ser o chamariz dessa atenção tão desejada! A solidão afectiva nas crianças leva-as muitas vezes a queixarem-se de dores que ainda não existem, de indisposições físicas imaginárias, para que os adultos olhem para elas, e surja a atenção desejada pela criança que normalmente é ignorada. Com a continuidade o físico começa mesmo a ser afectado pois tanto diz que lhe dói, que está mal, que a força da mente domina o corpo! Outra causa que pode originar mais tarde hipocondria, é o contrário da exposta atrás: uma normal doença infantil torna-se objecto de tanta atenção e mimo, de hiperpreocupação e cuidados exagerados, que pode desenvolver mais tarde uma preocupação mórbida acerca das doenças que podem surgir na criança; esta vai assimilando, e a mais pequenina ferida é motivo de gritos e constantes desinfecções numa angústia apavorante! Admite-se portanto com provas justificativas que a hipocondria, como disse atrás, é mais comum em pessoas que na infância poderiam ter tido uma real enfermidade orgânica, ou também que foram submetidas a uma superprotecção, a uma vigilância exagerada e ansiosa sobre o seu estado de saúde. Outra causa é o contacto de crianças desde tenra idade, com a angústia de familiares que de perto estavam sempre ou realmente enfermos num ambiente de sofrimento, ou então queixando-se num mundo de lamentações de dores, de males criando um doentio e mórbido ambiente bem nefasto e trágico por vezes para essas crianças que nele vivem! Mais uma vez, como tantas centenas de “outras vezes” a criança é vítima da ignorância, e das situações básicas daquelas que as lançaram no caos do mundo. Também nas pessoas idosas pode surgir hipocondria, e uma das causas vulgares da doença é a sua triste solidão e queixam-se, lamentam-se com dores e mal-estar físico, num chamamento de atenção à sua pessoa quase ignorada!

  Os hipocondríacos como sentem profundamente que o seu estado de saúde é mais ou menos angustiantemente preocupante, vivem quase sempre atemorizados em contrair doenças graves, e podem centrar-se num determinado órgão ou numa só doença como no caso da Neurose Cardíaca. Segundo a medicina convencional, esta opina que a hipocondria pode surgir de outros distúrbios neuróticos, como fobias, ansiedade generalizada, neurose obsessiva compulsiva, e até pode estar ligada à esquizofrenia, à depressão, a doenças cerebrais orgânicas, como a demência e tumores cerebrais.

  Está psicologicamente provado que esta doença pode alterar a personalidade. Certos doentes ao verem-se num estado de total dependência podem regredir e tornarem-se extremamente infantis, egoístas, num egocentrismo que o seu mundo não é mais que a sua própria pessoa.

  Outros, criam uma solidão, que aceitam de bom grado o internamento num hospital onde se sentem mais acompanhados. Outros procuram a própria solidão, para melhor se analisarem a si próprios, porque pensam e sentem que ninguém melhor que eles poderia desempenhar esse papel. Preferem que não hajam espectadores da sua tragédia! Quando esta doença toma conta de alguém, sempre que é necessário resolver uma situação, tomar uma decisão importantes, preferem adiar, adiar o mais possível, porque está demonstrado que a hipocondria diminui as faculdades de raciocínio.

  Como mencionei a Neurose Cardíaca, penso que pode ser interessante para quem não conhece falar um pouco sobre esta matéria, esclarecer resumidamente algo sobre:

 

A Neurose Cardíaca

 

  A principal causa desta neurose é a ansiedade e apreensão excessivas sobre o funcionamento do coração, um medo incontrolável, um pavor angustiante de ter um enfarte, de morrer com algo cardíaco. Pode surgir após a pessoa ter sofrido na realidade qualquer perturbação, ou mesmo um ataque cardíaco, e o medo apoderar-se dela num receio constante duma nova recaída, mas também se verifica em pessoas que nunca sofreram de doenças do coração. O doente queixa-se de dor ou sensação de aperto no peito, palpitações ou dificuldades respiratórias, letargia (sensação de cansaço, sonolência ou falta de energia). Passa a evitar qualquer esforço, mede frequentemente as pulsações, sente-se incapacitado para o trabalho, vivendo sempre no medo de intensificar sintomas e desencadear qualquer ataque cardíaco. Só com psicoterapias muito específicas ajudam o doente a controlar a sua ansiedade, a dominar os medos, ajudando-o a encontrar a sua actividade normal.

  É bom saber que as doenças são susceptíveis de atacar as pessoas consoante as suas mais importantes actividades psíquicas, muitas adquiridas por processos educacionais e ambientais desde as remotas infâncias! Assim a neurose cardíaca tem mais probabilidades de surgir com mais ou menos intensidade em seres humanos impacientes, irritáveis, agressivos por vezes, ambiciosos e frustrados numa revolta por não conseguirem, por se sentirem incapacitados de satisfazer as suas ambições …

  E assim vamos rolando neste planeta tão enfermo, em viagens à volta do Sol, ano após ano … à espera uns nem sabem bem de quê?! outros mais vencidos e desmotivados!

 

Gia Carneiro Chaves

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