sol.JPG (17680 bytes)Esquizóide
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Distúrbios da Personalidade do 1º grupo:

Distúrbio da personaliddae do tipo Esquizóide

Depois de vos dar algumas noções do que se entende por Personalidade vou finalmente escrever sobre os seus distúrbios mais correntes, embora muito resumidamente.

Considera-se uma personalidade perturbada ou em distúrbio quando os traços da personalidade da pessoa se tornam rígidos, excessivos, excêntricos e desadequados, impedindo uma adaptação saudável às mudanças do ambiente e um bom relacionamento interpessoal. Uma personalidade em distúrbio, desadaptada, provoca sempre um mau estar familiar, profissional e social, além dum angustiante sofrimento pessoal. As áreas perturbadas da personalidade começam por se manifestar na adolescência e persistem na Vida adulta, provocando maior ou menor grau de incapacidade pessoal e social e agravando-se consideravelmente em situações de maior stress. O diagnóstico do distúrbio da personalidade implica uma avaliação do funcionamento do indivíduo nos seus múltiplos e variados aspectos e a longo prazo, não se limitando a episódios patológicos isolados.

Há a considerar 3 grandes grupos de distúrbios da personalidade, e a cada um pertencem vários tipos específicos.

Primeiro grupo a este grupo pertencem indivíduos caracterizados essencialmente por possuírem pensamentos estranhos, comportamentos excêntricos, e uma mórbida tendência ao isolamento. Aqui se inserem os Paranóicos que na generalidade vivem de suspeitas e desconfianças infundadas, os Esquizóides são emocionalmente frios e têm dificuldade em estabelecer relações sociais, e as Personalidades esquizotípicas têm comportamento e funcionamento próximo da Esquizofrenia embora menos acentuado e limitante.

Comecemos por analisar os tipos do 1º grupo em pormenor.

 

 

Distúrbio da personalidade do tipo Esquizóide

 

É caracterizado por dificuldade de relacionamento com os outros e o indivíduo sentir sempre dificuldade no bom desempenho nas actividades sociais.

Os traços esquizóides de personalidade revelam-se desde a infância e os indivíduos são solitários, estranhos, têm poucos amigos ou até nenhum; são excêntricos, pouco simpáticos, por vezes carrancudos e nutrem pouco ou nenhum afecto, assim como respeito pelos outros.

São normalmente pessoas desinteressantes, inconstantes, incoerentes, e desinteressadas nas actividades do dia a dia. Os psicanalistas acreditam que esta perturbação da personalidade resulta duma relação mãe-filho instável, insegura, precária e muito pouco natural. Cerca de 10% das pessoas com personalidade do tipo esquizóide poderão vir a desenvolver uma esquizofrenia. Acontece que a Personalidade esquizóide agrava-se com o tempo, quando não devidamente tratada e segue-se naturalmente a esquizofrenia. Afirma a grande cientista Dra. Barbara Ann Brennan "que é possível que a primeira experiência traumática, no esquizóide se registou antes do nascimento, ou por ocasião dele ou ainda nos primeiros dias de vida". O trauma costuma centrar-se em redor de alguma hostilidade recebida directamente, ou de um pai que não deseja o filho, ou ainda o trauma durante o processo de nascimento como a mãe que se desliga do filho emocionalmente fazendo-o sentir-se abandonado, sentimento que o acompanha se sentir na mãe esse contínuo desapego. Sua falha fundamental passa a ser o medo, medo até de não ter o direito de existir.

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"A nível do corpo, o resultado é um corpo que parece uma combinação de peças, não firmemente unidas nem integradas" afirma-nos ainda a Dra. Ann Brennan; e ainda "estas pessoas são normalmente altas e magras, e em alguns casos têm corpos pesados" devido também a pesadas tensões. "Um dos ombros pode ser maior que o outro; a cabeça frequentemente mantém-se inclinada de um lado com uma expressão vaga no olhar como se a pessoa estivesse parcialmente em outro lugar".

Quando bebé, a personalidade esquizóide sentiu a hostilidade directa pelo menos de um dos pais, dos quais dependia a sua sobrevivência. Essa experiência deu início ao seu terror existencial, o que lhe vai ocasionar mais tarde uma grande dor ao aperceber-se que a pessoa necessita em absoluto duma ligação afectuosa e nutritiva com os outros seres humanos. Mas depois com os seus terroríficos medos, a sua solidão não foi capaz de criá-la na sua vida. São pessoas com insucessos nas relações sociais e afectivas, pelo que podem ter graves dificuldades no emprego e tormentoso relacionamento com alguns elementos de família. Quando a hostilidade se torna num ódio rancoroso contra esses elementos ou algum dos elementos entrou certamente na Esquizofrenia.

 

Esquizofrenia

A Esquizofrenia destrói não só a vida dos doentes como a dos familiares mais chegados. No mundo ocidental a Esquizofrenia é responsável por 50% das admissões nos hospitais psiquiátricos. Há quem confunda os esquizofrénicos com as vítimas dos distúrbios de personalidade múltipla.

A American Psychiatric Association distingue ainda a esquizofrenia dos distúrbios da personalidade esquizóide ou esquizotípicos, porque estes além do já descrito, implicam características e comportamentos bizarros e têm graves dificuldades no relacionamento interpessoal, indiferença pelos outros, pouca ou nenhuma afectividade, desconfiança extremamente exagerada, crenças esquisitas, estranhas, mas não apresentam delírios que começam a surgir quando a doença se aproxima da esquizofrenia nem apresentam tão profundas incoerências de pensamento. Os esquizofrénicos podem sofrer de alucinações auditivas, delírios (o que mais tarde explicarei), imaginação … Eles criam como imbatíveis situações reais, falsas e por vezes irreais convicções, como sentirem que estão a ser controlados por algo ou alguém, sem tal acontecer, ou até … quando chegam a um estado extremamente grave de loucura acreditam que lhes foi dada a missão de salvar o mundo da guerra nuclear!!!…

Riem-se nos funerais ou quando os outros choram de sofrimento, choram quando os outros riem. Outros ainda têm dificuldade de executar as tarefas mais simples, ou são incapazes de falar coerentemente. Inicia-se geralmente entre os 15 e 25 anos nos homens, e geralmente 5 anos mais tarde nas mulheres. É de evolução muito prolongada e vai conduzindo à deterioração mais ou menos grave na personalidade e em qualquer desempenho social.

Acabam por perder com o tempo a motivação, e a capacidade de atenção, de concentração, de raciocínio lógico e ficam incapazes para desempenhos profissionais ou sociais. Muito se tem estudado e investigado sobre as causas da esquizofrenia e existem várias teorias que a investigação científica procura cada vez mais esclarecer e clarificar.

Os estudos actuais sugerem que a doença está ligada a desequilíbrios bioquímicos do cérebro. Outras causas podem ser factores hereditários, infecções virais, stresses muito graves, lesões cerebrais da infância, anomalias do sistema imunológico, e também relações sexuais parentais precoces como incestos, violações forçadas muito perturbadas; esta causa é mais um factor que uma causa única. Provavelmente a etiologia, isto é, as causas mais profundas e remotas dos processos que geram a esquizofrenia são multifactoriais, pelo que é imprescindível cada doente investigar o conjunto de factores implicados, para se poder organizar um plano terapêutico adequado.

O diagnóstico de esquizofrenia deve ser feito ao longo dum período contínuo pelo menos de seis meses ou mais e especialmente com a quebra da realidade do doente com evidência da fragmentação e deterioração da personalidade em qualquer altura da vida do doente.

 

 

Tentei resumir o máximo para não tornar tão extenso o artigo. Continuo a afirmar que entrei nos distúrbios da personalidade, pela insistência que me são postas e em número bastante considerável, sobre estes temas.

Pensei que seria aconselhável, visto a insistência e o número de pessoas a pedirem para falar em vários distúrbios, que decidi pedir-lhes paciência e esperarem que eu faria artigos mais completos e esclarecedores não só sobre o distúrbio mencionado por cada um, mas numa exposição mais completa ao longo de vários artigos.

Por favor não ponham questões, pois não é possível curar ou melhorar este tipo de doentes, pelo menos os do 1º grupo com respostas escritas que são sempre longas e não conduzem a um tratamento adequado. É com psiquiatria e técnicas psicoterápicas indicadas pelo médico, além de fármacos indispensáveis.

Para o próximo artigo continuarei com os distúrbios do 1º grupo. Falta esclarecer o que é a Paranóia, uma doença também bastante desagradável.

 

Gia Carneiro Chaves

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