Outra característica é o delírio erotómano
que faz com que o indivíduo se sinta profundamente desejado e amado por alguém de
posição mais elevada e de facto muito distante. A erotomania, é outra
manifestação que se expressa a vários níveis. É mais uma obsessão, a procura doentia
dum amor ideal, especialmente do erotismo e da sexualidade. No entanto pode existir uma
grande desconfiança em relação à sua capacidade amorosa, e a possibilidade do abandono
da companheira ou companheiro, que se fazem sentir nitidamente nas formas de erotomania
ligadas a certas representações muito precisas, como os fetiches, podendo chegar a
fixações ou perversões, que já não implicam relação com qualquer parceiro
amoroso.
Há
ainda a referir o "delírio
do ciúme" os ciúmes mórbidos preocupação
exagerada, descabida e fora da realidade, com a infidelidade sexual do parceiro, ou mesmo
a obsessão dum caso mais íntimo de amizade que se torna intolerável para o doente. Este
é por via de regra um homem que tem a suspeita ou mesmo a convicção que a parceira tem
um caso amoroso ou mesmo que está mais ligada afectivamente a alguém que a ele. Tem uma
atitude de espionagem contínua, atento a qualquer variação no seu comportamento,
procurando provas, geralmente falsas para a sua suspeita. Frequentemente pode recorrer à
violência física ou à tortura psicológica. O ciúme mórbido, patológico é inerente
à personalidade do doente paranóico, que revela traços depressivos, insegurança, baixa auto-estima, e sentimentos de inferioridade sexual; estes traços de personalidade,
presentes desde sempre, podem tornar-se mais evidentes e patológicos quando associados ao
alcoolismo ou a síndromas cerebrais orgânicos. Os ciúmes patológicos constituem uma
causa frequente de violência conjugal, que pode chegar ao homicídio do parceiro, seguido
ou não do suicídio do doente.
Temos a considerar alguns tipos de paranóia:
A
Paranóia Crónica
que pode resultar de lesões cerebrais,
abuso de anfetaminas ou de álcool, esquizofrenia ou distúrbio maniaco-depressivo. Pode
também manifestar-se em pessoas com "distúrbio paranóide da personalidade"
que se caracteriza por indivíduos muito desconfiados e sensitivos, com uma aparência
emocionalmente fria, mas são extremamente vulneráveis, que se melindram facilmente;
criando um ambiente de contacto humano bastante desagradável.
A
Paranóia
Aguda
que
pode aparecer em indivíduos já com distúrbios prévios da personalidade, com crises com
uma duração inferior a seis meses. Sofrem de alterações radicais no seu meio
ambiental, como imigrantes, refugiados, recrutas que entram no serviço militar, sobretudo
os que foram vítimas de hiper-protecção familiar, ou jovens que saiem de casa pela 1ª
vez, quando também a super-protecção imperou. Em tais indivíduos, devido a possuirem
uma personalidade vulnerável, grande predisposição a intensos stresses vivenciais
levam-nos a uma ruptura psicológica mais ou menos transitória.
Há também a considerar a
Paranóia Partilhada, o delírio é partilhado por dois
parceiros. Trata-se geralmente de um casal no qual um elemento dominante com distúrbio
paranóide, incute e influência mentalmente as suas falsas crenças no parceiro mais
fraco passivo e sugestionável. Habitualmente não existem outros sintomas de doença
mental. No entanto habitam nos seus mecanismos psíquicos, a raiva, as desconfianças
mórbidas, o isolamento social que vão marcando na continuidade do tempo uma crescente
modificação comportamental no indivíduo que se vai tornando cada vez mais excêntrico,
e tenta viver cada vez em maior isolamento social.
Os paranóicos raramente se vêem a si próprios como doentes e
normalmente só aceitam tratar-se por convencimento insistente de parentes ou amigos. Não
se consideram doentes e não se querem tratar. A pessoa não tem consciência do seu
próprio estado, da sua própria enfermidade.
NOTA - Como
prometi vou dar um ligeiro esclarecimento sobre:
Delírio
Delírio Ideia fixa, obsessão irracional, uma atitude
inabalável mas falsa, errada, não compartilhada por outras pessoas a funcionar dentro da
normalidade mental, do mesmo meio, da mesma cultura, e não cede a qualquer argumentação
lógica. No delírio paranóide, o mais frequente, as ideias delirantes têm conteúdos de
perseguição, especialmente vindo dos que estão mais em contacto, acompanhado, se as
situações se proporcionarem, do ciúme patológico, mórbido. Uma pessoa com delírio de
megalomania acredita e tem delírios imaginativos de grandeza social ou monetária de ter
o que ambiciona, numa ansiosa credibilidade que é uma realidade absoluta para ele, mesmo
que seja social ou economicamente impossível. Se as ideias delirantes obsessivas
persistem são um sinal de doença mental grave, muitas vezes crónica, como a
esquizofrenia. A erotomania é uma das mais graves facetas do delírio que se torna uma
verdadeira obsessão.