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Distúrbios Dissociativos

 

Olá Amigos visitantes: Há muito que não tinha o prazer de comunicar convosco com a devida continuidade da exposição dos artigos. Os distúrbios de personalidade foram nos cursos que dei, dos assuntos que mais interesse suscitaram. Vou pois continuar a expor ainda os que faltam!

 

 

Vou entrar no conceito geral dos distúrbios dissociativos. Estes distúrbios representam um conjunto de alterações psicológicas em que a função psíquica se “desliga” do resto de consciência deixando de existir um control voluntário do sujeito “self”, ficando essa função dissociada do funcionamento que faz parte integrante da actividade mental. Pode-se considerar um processo psicológico muito vulgar e de certa utilidade na vida diária. Temos como exemplo, não ouvir o que dizem por estar excessivamente concentrados numa outra tarefa. A dissociação da consciência pode ser um mecanismo de defesa desadequado e neurótico subjacente a doenças mentais mais ou menos graves.

Um tipo comum de distúrbio dissociativo é:

 

A Amnésia Histérica

Este tipo de amnésia consiste na incapacidade de recordar períodos de vida, acontecimentos, enfim vivências que foram traumáticas. O indivíduo não as quer reviver nem na memória, pois é a melhor forma de se poupar a profundos sofrimentos angustiantes, a conflitos torturantes a elas associados. Quando a amnésia histérica atinge formas mais graves a pessoa fica mesmo incapaz de recordar o seu nome, mas ainda consegue falar, ler e adquirir novos conhecimentos.

Não confundir amnésia histérica com uma mentira patológica, porque a primeira resulta de mecanismos inconscientes, enquanto a segunda não passa duma falsa simulação.

Outros distúrbios dissociativos são especialmente a fuga psicogénica e a personalidade múltipla.

Para avançarmos um pouco mais esclareço muito resumidamente o conceito psicológico de:

 

Personalidade Múltipla

É importante salientar que este tipo de personalidade não deve ser confundida, o que por vezes acontece, com as vítimas do distúrbio esquizofrénico. Também é de considerar, tendo como grande referência a American Psychiatric Association, saber distinguir a esquizofrenia dos distúrbios de personalidade esquizóides e esquizotípicos e personalidade múltipla embora se vivenciem na actividade comportamental algumas semelhanças, mas há diferenças fundamentais, pois estes não apresentam delírios, alucinações e incoerências assustadoras de pensamento.

Passemos agora finalmente a resumir as características da personalidade múltipla.

Distúrbio raro de dissociação da consciência em que o indivíduo revela duas ou mais personalidades distintas que alternam em períodos diferentes. As personalidades são quase sempre muito diferentes entre si: com frequência totalmente opostas (entre si) e revelando tendências e impulsos inconscientes contraditórios, sempre em conflito, e que o indivíduo não conseguiu resolver de forma integrada e harmónica num funcionamento único. As personalidades podem não ter conhecimento umas das outras, mas há consciência de lapsos de memória e de tempo e períodos de amnésia em cada uma delas. O tratamento destas formas graves, mas muito raras, de histeria passa por uma terapêutica psicanalítica.

Posso-vos relatar dentro dos exemplos conhecidos sobre o distúrbio de personalidade múltipla, o mais relevante que conheço que é sobre Eva Black ou Eva White, etc, pois conseguiu desdobrar-se em 22 personalidades. Esta mulher sofria de tremendas dores de cabeça, seguidas de estados de inconsciência. De nada se queixava de anormal, até que um dia tentou estrangular a própria filha e decidiu consequentemente pedir auxílio. Veio à Luz um dos mais famosos casos de personalidade múltipla. No início da terapia o médico ficou espantado quando subitamente a sua paciente que se manifestou como uma mulher modesta e apagada se tornou numa outra pessoa.

Fechou primeiro os olhos, apertou a cabeça e de repente os olhos abriram-se e a apagada personagem surge com um sorriso perfeitamente descarado e provocatório e diz para o médico: “Olá Doutor! Ela tem passado uns maus bocados! Dá-me um cigarro doutor?”. Essa “Ela” era a própria Eva sofredora. O médico perguntou-lhe quem era ao que ela respondeu: Eva White. Estas duas e mais outra eram as que podiam coexistir simultaneamente no espírito da doente. Quando estas três morriam outras três surgiam. Tomou vários nomes e em cada uma manifestava uma personalidade diferente. Com a psicoterapia adequada foi tomando consciência das variadas personalidades que assumia e um dia inesperadamente descreve ao médico que as suas múltiplas personalidades eram como “um mecanismo de defesa próprio que a levou a criar pessoas satélites para enfrentar conflitos insuportáveis”.

No fim do tratamento a última personalidade (22ª) a de Chris Sizemore que era o verdadeiro nome de Eva surge... Depois de profundamente investigado este caso, quase único, os psicólogos concluíram que o distúrbio pode provir de crueldades sexuais ou mentais, ou as duas simultaneamente sofridas pela vítima em criança. Este distúrbio é a forma extrema dos estados dissociativos, é extremamente raro, e exige um diagnóstico profundamente cuidado. É dissociativo porque o “Eu” pode dissociar-se, ou separar-se em subpersonalidades ocultas do consciente. Nunca pode ser uma fraude este fenómeno, como alguns quiseram contestar porque as pessoas normais não conseguem simular ondas cerebrais diferentes.

Estranhos fenómenos com que a natureza humana se debate!

 

Uma nova modalidade dos distúrbios dissociativos é a Fuga Psicogénica, e sem dúvida é um distúrbio dos mais graves, por agravamento, e sem tratamento adequado. É uma forma de alteração da consciência, em que o indivíduo abandona repentinamente a sua casa ou o seu local de trabalho, assumindo uma nova identidade e não recordando a anterior. Neste distúrbio tão grave são frequentes as mudanças incompreensíveis de humor, sentimentos confusos em que prevalecem a hesitação, a indecisão, sem saber como resolver-se numa perplexidade e desorientação sem controle, alterações do comportamento, uma tremenda instabilidade, alucinações e após a recuperação da consciência, não existe a mínima recordação dos acontecimentos ocorridos (é chamada amnésia lacunar).

A fuga pode durar horas ou dias. Numa fuga de longa duração o comportamento ao longo dos lugares por onde passa pode parecer a quem o contacta normal, mas na sua realidade intrínseca, nas suas vivências interiores podem acompanhá-lo alucinações, e outros sintomas desagradáveis como sensações de irrealidade ou uma profunda instabilidade emocional. Numa fuga que dure apenas algumas horas o indivíduo manifesta-se extremamente confuso e agitado. As causas são naturalmente distúrbios de personalidade com predominância dos distúrbios dissociativos, certos tipos de epilepsia (especialmente epilepsia do lobo temporal ou psicomotora), depressão, traumatismo craniano ou demência.

 

Tudo tão friamente científico!!!... Mas a vertente humana nos mostra que quando somos lançados no caos humano geralmente não estamos nestas situações de distúrbios e confusões. São as nossas vivências, os desencontros provocados na formação inadequada à nossa personalidade real, dando a cada um o que é o certo e o adequado como nutrientes salutares para um crescimento psíquico saudável em sintonia com o nosso Ser essência. Tal como diz Yung “nascemos com uma personalidade una”, mas pressão daqui, pressão de acolá no turbilhão existencial duma humanidade onde a ignorância dos complexos mecanismos psíquicos é quase uma constante, os valores do ser que é colocado neste conturbado planeta vão-se afastando da sua verdadeira realidade, do seu real “Eu” e vão surgindo lenta e gradualmente uma multiplicidade de pequenos distúrbios que vão tomando dimensão, se não forem cuidados no seu devido tempo. As cargas hereditárias também têm o seu peso, mas a maioria dos “desencontrados” enquadram-se nas primeiras causas apontadas. Cada um de nós é um Universo Humano que nasceu para Viver e não só para existir amargurado! Como eu lamento ter conhecido tão profundamente este caos humano que buscam, buscam … e por vezes já bem enfermos, nem sabem sequer que buscam a sua verdade intrínseca!

 

 

 

Gia Carneiro Chaves

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