Quando nascemos a
idade começa a avançar dia após dia. Segundo as tradições, o bebé à
medida que avança no tempo passa a ser chamado de criança, é como uma
viagem na vida no decorrer dos tempos, em que os primeiros companheiros
são os pais ou irmãos, se já existirem. Vão-se sulcando caminhos mais
bonitos, mais coloridos, ou mais sombrios contando de certa maneira com
o ambiente circundante que influi mais ou menos no crescimento do Ser.
Uns, devido a super-protecções exageradas, ficam imaturos e muito
inconscientes de responsabilidades e mesmo da própria realidade
objectiva, normalmente não são felizes com o avanço da idade e podem ser
atingidos por doenças psíquicas mais ou menos graves. A idade mental não
avançou em concordância com a idade cronológica, portanto não têm a
mesma idade que aqueles que foram avançando em condições ambientais de
desenvolvimento mental e físico. Podem cronologicamente ter o mesmo
tempo de existência, mas na realidade não têm a mesma idade, mesmo que
nascessem no mesmo dia e no mesmo ano…
Na realidade o
processo do que se chama envelhecimento inicia-se no momento em que
nascemos. O nosso corpo é matéria, e com o avanço da idade os tecidos
orgânicos vão-se desgastando, sendo muito afectada a massa óssea. Uns
cronologicamente mais jovens, outros de idade mais avançada, mas cerca
dos 35 para os 40 anos, na generalidade, começam a surgir problemas
físicos mais ou menos complicados e mesmo na idade da adolescência,
sobretudo nos tempos que correm, as queixas começam a acentuar-se e os
desequilíbrios nervosos tornam-se cada vez mais numerosos. Vamos no
entanto focalizar com mais pormenor os problemas que vão surgindo
naqueles que se chamam “idosos”. Nem todos esses problemas são causados
pela idade avançada, mas também por causas profundamente traumáticas de
origem psíquica que se iniciam, por ignorância de quem os rodeia, nas
idades infantis. Outro factor muito importante na saúde que pode
retardar a deterioração celular do corpo é haver uma alimentação
adequada e exercício físico.
Frequentemente uma das últimas faculdades a
desenvolver-se mais acentuadamente é a noção do TEMPO, que normalmente
só se adquire quando já percorrido um extenso caminho e se começa a
notar que já não se pode fazer, que já não há capacidades para tudo como
há uns anos atrás. Os mais velhos adquiriram a experiência que os mais
novos só se apercebem em teoria, e depois no avanço da idade começam a
recordar o que um pai, um avô afirmavam e que eles estavam também a
sentir. Segundo Carl Jung, “na idade avançada os homens têm tendência
para desenvolverem a sensibilidade, a espiritualidade, enquanto que as
mulheres desenvolvem mecanismos de defesa e inteligência”. Segundo os
cientistas, a partir dos 65 anos o homem já poderá chamar-se de “muito
idoso”, no entanto existem seres humanos com 70 a 80 anos que têm um ar
de juventude e um espírito jovem, embora a massa orgânica tenha o seu
sofrimento, especialmente os ossos, o fígado, a parte cardíaca, mas esse
espírito de agarramento à VIDA leva a superar muito sofrimento físico.
O
planeta no seu movimento de translação faz escoar os anos em cada 365
dias e o ser humano cada vez vai ficando mais incapacitado e dependente…
Normalmente, as mulheres têm mais facilidade em sobreviver mais tempo
sem um companheiro, mas o homem torna-se mais frágil na idade avançada.
Quando ficam sós necessitam ter um filho dedicado, mas a companheira ao
lado seria o ideal. Começa-se a aprender a aceitar o auxílio de alguém
que os estime. É a etapa mais difícil!... O equilíbrio estável a descer
uma escada, ou mesmo a pôr-se em pé, ou simplesmente a caminhar, vai-se
perdendo, lentamente vão-se aprisionando dos sofás ou maples onde se
afundam sentido amargamente: se eu tivesse aqui alguém, se eu tivesse
aqui alguém que me ajudasse a levantar com firmeza e segurança era o
momento de eu poder dar uns passos, de eu poder sentir-me mais seguro e
menos amargurado. Se a pessoa continua lúcida até aos últimos dias da
sua existência demonstra-lhe mais luminosamente as vivências do seu
existir ao longo dos tempos, o que aprendeu, o que podia ter aprendido
mais. No entanto, esses seres agora incapacitados foram a firmeza e
segurança para ajudar a levantar nos tempos mais ou menos remotos,
enquanto puderam, aqueles que necessitavam de ajuda para se erguer, para
dar aqueles passos, para sentir o apoio, para sentir.... que não estavam
sós!
Os filhos, esses, passaram a ter a sua própria vida e na grande
maioria da população humana não há tempo, não têm tempo, para o
“emprego”, a casa, o cônjuge e os filhos. Que há a fazer? Interná-los em
qualquer instituição, a melhor que podem, para ficarem mais libertos e
sentirem que o pai ou a mãe estão acompanhados e cuidados, e assim a sua
consciência? fica tranquila. Surgir uma mudança que afaste o ser “idoso”
do seu espaço habitual, dos seus hábitos rotineiros, mas a que já está
habituado, tirar-lhe as suas coisinhas com que viveu tantos e tantos
anos, faz surgir uma saudade tão profunda e amarga, e muitos uma
dolorosa adaptação àquilo que não querem, que um estado mental ainda
lúcido rapidamente se pode tornar senil e por vezes demente. Será um
mecanismo de defesa inconsciente que o homem trouxe consigo por já não
suportar o sofrimento? Possivelmente ainda podia ser útil a nível
mental, com diálogos, ensinando o que foi aprendendo ao longo da
caminhada existencial, dando carinho e amor, que é o que mais necessita
a humanidade. Sabe-se que muitos artistas, muitos génios, muitos
cientistas fizeram o seu melhor trabalho depois dos 60 anos. Mesmo esses
que tanto ajudaram o mundo, mesmo aqueles que se entregaram a espalhar
paz e amor, um dia podem ficar completamente sós, numa solidão sofrida,
mendigando o estender de uma mão, uma pequena ajuda e não sentir, como
tantas e tantas vezes acontece, que é um estorvo na vida dos mais novos.
Outro factor de
tormentoso sofrimento são os medos, por vezes muito constantes
companheiros daqueles que na idade avançada se vêm numa situação de
solidão, esquecidos, doentes, e cada vez mais doentes, até porque a
situação psicológica não os deixará mais melhorar. São poucos, e
infelizmente eu conheço muito bem a humanidade em vários pontos do
mundo, ou melhor parte da humanidade, grupos maiores ou menores que eu
fui sempre estudando ou analisando e no caso daqueles de idade mais
avança e incapacitados, são realmente poucos aqueles em que os filhos
nunca os abandonam, em que terminam o seu existir Aqui no seu mundo
existencial.