sol.JPG (17680 bytes)Complexo de Édipo
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Outro tema insistentemente pedido, originado por problemas que afligem as mães. Mas … é importante que se relatem as raízes, os primórdios donde o Complexo de Édipo foi transportado desde a mais longa data para os angustiantes complexos humanos! Contar uma lenda grega, além de cultivar os espíritos mais ignorantes, talvez seja uma ilustração para as realidades vivenciais.

O psicólogo Carl Gustav Jung afirmou que habita no espírito inconsciente de todos nós o potencial para termos certas ideias elementares ou "Arquétipos" e sermos transformados por elas. Este "inconsciente colectivo" expressa-se por mitos que vêm sendo repetidos sob diversas formas. E as lendas são uma das formas, pois nas lendas há sempre algo de profundamente simbólico. Melhor entenderemos agora o:

 

Complexo de Édipo

Alguns heróis míticos enfrentam problemas profundos, por vezes insolúveis. Para os antigos gregos, as suas histórias trágicas demonstravam quanto a estrutura humana é falível e todas as suas desgraças eram originadas pela sua condição de homens.

Talvez um dos mais famosos heróis trágicos seja Édipo, em cuja história encontrou bem definido um dos mais tormentosos conflitos a que se chamou "Complexo de Édipo".

Conta a lenda grega que ao filho do rei Tebas, Édipo, um oráculo vaticinou, que um dia ele mataria o pai, o rei de Tebas, e casaria com sua mãe. Em consequência o rei mandou matar o filho, mas em segredo um criado abandonou-o vivo numa encosta de pés atados. Um pastor recolheu-o e deu-lhe um nome que significa "pés inchados". Mais tarde um rei e sua esposa, estrangeiros, adoptaram a criança e educaram-na como se fosse seu filho numa cidade distante.

Mais tarde, Édipo, já adulto, e sobre dúvidas crescentes sobre a sua origem levou-o a consultar um oráculo que lhe afirmou: "Tu matarás o teu pai e casarás com tua mãe". Édipo afastou-se então dos seus pais adoptivos para escapar a estas fatalidades. Na sua fuga travou uma violenta discussão na estrada com um desconhecido e matou-o, sem suspeitar que era o seu pai. Defrontou uma esfinge, monstro com cabeça de mulher e corpo de leão, que matava todas as pessoas que não conseguiam decifrar os seus enigmas, à qual lhe perguntou: "Qual o animal que anda com quatro patas de manhã, com duas ao meio dia e com três ao anoitecer?". E Édipo respondeu "O homem que caminha com as mãos e os pés no chão quando criança, mantém-se de pé sobre as duas pernas na sequência da Vida e precisa de apoiar-se numa bengala quando envelhece".

Édipo decifrou o enigma e o monstro lançou-se ao mar. Creonte, irmão da rainha Jocasta já viúva, que era a mãe de Édipo, tinha prometido a mão desta a quem libertasse Tebas do terror da Esfinge. Édipo entretanto viajou para Tebas, e deste modo desposou a rainha Jocasta sem saber que era a sua mãe. Posteriormente descobriu com horror que o estranho que matara era seu pai e que tinha desposado sua mãe. Jocasta enforcou-se. Édipo furou os seus próprios olhos, partindo para o exílio com sua filha Antígona.

Os grandes cientistas psicólogos recorrem aos antigos mitos para explicar muitos distúrbios humanos a nível psicológico e até mental. Sigmund Freud viu nesta lenda o modelo dum conflito fundamental do homem: a representação do desejo sexual inconsciente e universal de cada filho pela mãe e da consequente rivalidade em relação ao pai. Segundo a teoria freudiana esta lenda caracteriza uma fase do desenvolvimento psicológico infantil, mas que pode conduzir a perturbações que, caso não sejam tratadas, se traduzem mais tarde na idade adulta em perturbações neuróticas.


O que Édipo na lenda não podia saber representa na realidade psicológica o que é recalcado no inconsciente. No final do desenvolvimento da sexualidade infantil ou a Fase Fálica o desejo do rapaz em relação à mãe esbarra com a proibição que lhe advém do pai e com reais ou supostas ameaças de castração. A criança deseja expulsar o pai, mas este desejo entra em contradição com o sentimento de afectividade que sente por ele, acrescentado com a dependência da sua protecção e com o referencial que a criança tem para a sua virilidade futura. Este conflito gera o seu desejo sexual em relação à mãe, e substitui-o por uma ternura, em alguns casos por vezes demasiado insistente em abraços e carinhos aparentemente desprovidos de sexualidade.

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Convém dar-vos a conhecer o que é a Fase Fálica, que é uma fase profundamente estudada e cientificamente esclarecida na Psicologia das Profundidades, que neste capítulo designa o resultado por assim dizer "congelado" de um conflito dos desejos pulsionais e os recalcamentos gerados em determinadas situações da evolução da infância.

Um dos mais típicos exemplos deste tremendo conflito é o Complexo de Édipo, pois nele se confrontam a forte atracção física pela mãe e a rivalidade pelo pai, para além das interdições que a educação e a civilização fazem entrar no jogo. As futuras relações com a mulher ficarão para sempre marcadas por esse facto, se o jovem não for submetido a psicoterapias adequadas. O complexo de Édipo e o sentimento de castração originam o estado fálico, centrado na zona genital. Esta fase fálica é interrompida pelo tempo de latência. Entre mais ou menos o quarto ano e o quinto ano de idade e a puberdade, alonga-se o tempo de latência durante o qual as pulsões sexuais parecem mais ou menos obliteradas. O amor sexual pela mãe atenua-se, transformando-se num amor menos físico. Do amor e rivalidade simultâneas pelo pai resulta um comportamento ambivalente que pode por vezes ficar em suspenso durante toda a Vida!


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O complexo de Édipo pode ser resolvido e ultrapassado logo nos primórdios da infância, dependendo do processo formativo educacional e ambiental onde a criança se desloca. Por muito amor que a mãe albergue pelo seu filho não é saudável deixá-lo adormecer com as mãozinhas da criança mexendo no seu peito, e mais ainda beijá-lo na boca. Situações continuadas mesmo depois da passagem para a segunda infância:


A criança dormir assiduamente com a mãe ou com o casal. Há casos em que o rapazinho chora convulsivamente até a mãe o ir buscar para a sua cama, e é muitas vezes o pai que tem que sair da cama e ir dormir para outro lado para o menino sossegar. Quando já na segunda infância, se o pai tem trabalho por turnos, ou tem que se ausentar por noites, o menino está sempre ansioso para poder ir dormir com a mãe, o que esta permite, mais os contactos físicos de lhe mexer no peito, de a abraçar e a mãe de o beijar na boca. Até no banho quando esse tempo podia ser aproveitado para brincar numa ludoterapia que faz feliz a criança, muitas vezes a mãe chama a atenção para o orgão sexual mexendo e remexendo no mesmo, como se fosse a brincadeira mais atractiva! É lamentável, mas acontece até que depois mais crescido já é o menino que chama a atenção mexendo ele, como se estivesse na mais alegre brincadeira! E tantas e tantas coisas congéneres que eu poderia citar que são causas fundamentais para o impedimento da ultrapassagem do complexo de Édipo na devida altura que certamente encheria páginas. Essa ultrapassagem, essa resolução desse complexo de que se fala tão levemente seria talvez fundamental para que o homem adulto não cometesse tantos erros, até pela ignorância do que se passa dentro dele.

Há rapazinhos que nem passam pelo tempo de latência e eu na minha actividade profissional tenho trabalhado intensamente nestes tipos de problemas.

Muitas das situações são resultados de profunda ignorância, outras, em simultâneo com essa ignorância são profundas carências afectivas e angustiantes frustrações sentimentais que levam as mulheres a agarrarem-se ao filho para mitigar situações psíquicas, por vezes bem confusas que as atormentam. Quando o rapazinho é filho único e estas situações confrangedoras existem, este rapaz está marcado para toda a vida e há sempre fracassos, mesmo a nível sexual com outras mulheres. Seguramente é vítima de distúrbios psico-sexuais.

Há que habituar a criança à sua cama desde bébe, não com a rigidez de não o acolher momentaneamente com todo o carinho para a mamada, e aconchegá-lo, e com muita suavidade e doçura não lhe permitir determinados hábitos já apontados. Mesmo que o pai não esteja, o menino tem a sua cama, que a mãe fará sentir como é agradável ter uma caminha tão bonita, saber contar-lhe histórias infantis consoante a idade, onde os sentimentos nobres começam a ter valor na mente da criança, e onde outros meninos e meninas, animais, jardins e bosques fazem parte da vivência infantil que a mãe cria com carinho, com fins didácticos e formativos, mas que aliciam a criança. Um tempo que se deve dedicar, pois antes de adormecer é o que ficará no inconsciente mais profundamente marcado. Todos estes princípios e muitos mais que poderia citar ao longo do crescimento da criança conduz a uma educação sexual em que o complexo de Édipo é perfeitamente ultrapassado!

A infelicidade é indubitavelmente com frequência filha da ignorância mesclada com fracassos sentimentais e carências profundas de afecto, o alimento essencial a uma melhor saúde psíquica!

 

Irei falar no próximo artigo, no fenómeno semelhante ocorrido na menina, um complexo paralelo ao complexo de Édipo denominado Complexo de Electra.

Gia Carneiro Chaves

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