sol.JPG (17680 bytes)Pseudolalia
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Em vez do Complexo de Electra como tinha prometido, achei que seria de maior interesse dizer algo sobre a Pseudolalia, visto o Complexo de Édipo, não sei porque razões, não interessou tanto aos visitantes do site, visto ser o único artigo de que não resultou nenhuma questão, dúvida, nada que eu pudesse esclarecer melhor desse labiríntico mundo do Universo psíquico, especialmente, consequente do Complexo de Édipo.

 


A Pseudolalia é uma mentira compulsiva resultante dum longo vício de mentir. A pessoa mente por mentir. Esta somatização psicogénica por autocompensação, tal como a gaguez são consideradas em geral, como resultado de traumas de infância, e de uma profunda insegurança emocional. Esta e outras autocompensações são o mecanismo comum de defesa para alguém com tremendas carências afectivas, de compreensão, de atenção, de diálogo harmonioso. São oriundas de traumas de infância, pois formar alguém num processo que julgam educativo, só de obrigações, imposições, disciplinas rígidas, por vezes comandadas num autoritarismo assustador, isso não é educar, é deformar.

As demasiadas exigências comportamentais, castigos, ameaças cria indivíduos que estão sempre em constante autodefesa, mentindo para esconder situações infantis próprias da idade, mas das quais a criança começa a sentir culpas infundadas, pois não são compreendidas e muitas vezes as suas espontâneas e sinceras atitudes infantis não são toleradas pelos adultos, sobretudo quando interferem com os conceitos sociais que os pais criaram como verdades imbatíveis. A criança na sua espontânea infantilidade deixa escapar a verdade do seu sentir, que brota sem distorções e é cortada com repreensões pelos adultos, que exigem um "estar social" de acordo com as suas mentalidades deformadas; esse "estar" social até é variável de família para família, ou de grupos sociais para outros. A criança confusa com a repreensão, primeiro obedece, repetindo o que lhe ensinam, na maioria das vezes sem convicção, mas com medo das reacções. Começa a adquirir mecanismos de defesa na mentira, em desculpas falsas, afirmando-se cada vez mais convincentemente, porque a sua verdade cria frequentemente reacções de agressividade, hostilidade por parte dos adultos.

Melhor seria o diálogo afectivo com métodos de ensino no caminho da dignidade para cada situação, que poderia substituir a ditadura e a rigidez; o hábito de mentir cada vez mais afirmado, origina a criação mental de outras realidades para fugir àquelas que o indivíduo não quere viver podendo conduzi-lo já adolescente ou adulto, a um grave distúrbio da personalidade. Acaba por fim mentindo por vezes já convencido da sua imagem de verdade.

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As pessoas perdem lenta e gradualmente a consciência da gravidade da doença que vão adquirindo, porque a sua realidade vai perdendo cada vez mais sintonia com o verdadeiro real. Por fim o vício de mentir é um acto inconsciente e perante a mais simples situação a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva.

A fronteira entre a verdade e o imaginário é difícil traçar se não impossível e tal como os racionalizantes são indivíduos dificilímos de tratar e segundo o professor Albino Aresi a confusão mental pode gerar algo de psicótico. Sentem a falta de confiança dos que vivem em seu redor, o que os desespera amargamente sentindo-se vítimas incompreendidas, e uma raiva incontida quando confrontados com a verdade, que já não entendem, fá-los soltar a mola da violência. Toda a mente fora da sua realidade sem fronteira, entre a realidade autêntica e a mentira forjada é algo imprescindível de tratamento assíduo, e mesmo submetido a psicoterapias adequadas são tremendamente difíceis de tratar, e na Vida quotidiana à medida que a doença avança são de difícil contacto humano. O afecto e a compreensão são dois componentes para qualquer terapia nestes casos.

A pseudolalia pode conduzir a tais imagens fora do real, que leva à pseudologia, que é a tendência para no mundo da mentira contar histórias imaginárias, geralmente com jactâncias pessoais em que o indivíduo se tenta exibir com acontecimentos fora do comum geralmente recheados de perigo em que o mentiroso é o herói. Situação perigosa quando adulto, auto-afirma-se no imaginário que geralmente confunde com a realidade empírica e a fronteira entre o real e a efabulação é muitas vezes difícil de traçar. É vulgar nas crianças imaginativas e criativas e até alguns adolescentes, estes com necessidade de chamar a atenção, a Pseudologia acontecer, com situações imaginárias que viveram tão intensamente que acabaram por tomá-las como verdadeiras. Nestes casos depende dos educadores em diálogos amistosos, nunca chamando-lhe de mentirosos, ajudá-los a aprender a distinguir o imaginário da realidade, sem que aquele não possa ser sonhado! Infelizmente a incultura psíquica é confrangedora e esses diálogos raramente acontecem!

A pseudolalia pode conduzir a graves distúrbios de personalidade, podendo o pseudolálico acabar por perder a sua individuação e viver num real criado imaginariamente, comportando-se duma forma difícil de contacto humano e só com tratamentos profundos poderá melhorar.

Mais um distúrbio psicogénico criado por uma humanidade, na sua maioria deformada, rígida, seguindo normas de passados remotos, nada adaptados aos momentos presentes, e tantas vezes, rancorosamente transferindo frustrações sufocantes e insuportáveis, para o mundo humano que depende de si.

Não posso deixar de acrescentar pensamentos e sentimentos que num turbilhão se entrechocam no mais íntimo do meu Ser ao viver tantas enfermidades sofridas que de década para década se avolumam num desvario! Será que grande parte do Universo humano, ao longo dos séculos se foi desviando cada vez mais da sua essência, e que simbolicamente poderei relatar por símbolos bem representativos dessa transformação em que a palavra "humanidade" perdeu o seu verdadeiro sentido?

Será que foi transformada numa fera sanguinária que saceia a sua fome incontrolável bebendo o sangue de inocentes e indefesos?

Será que se foi transformando num árido e infinito deserto que mata de sede e fome o corajoso viajante que ainda tem a valentia de enfrentá-lo na sua caminhada?

Será que a maioria das mentes dos homens se encerraram numa dura e resistente concha bivalve que fecham hermeticamente, à dor, às violências que afectam indefesos numa destruição avassaladora, vivendo na ignorante e tenebrosa escuridão fossilizados na sua dureza, no seu feroz egoísmo, na sua mais desvairada ambição e … profunda insensibilidade?

Será que esta amálgama de viventes que se afirmam racionais, utilizam essa rara faculdade em desarmonia perfeita com a sensibilidade e sentimentos nobres que perderam, e um dia … um dia … não sei em que tempo terão a capacidade de olhar os olhos duma criança que implora protecção e Amor?

A maioria da humanidade ingeriu psicodislépticos terroríficos transformadores de estados de consciência, até se abandonarem aos automatismos e tropismos do sub-córtex, à região cerebral dos instintos básicos. Os estados modificados de consciência atingidos foram-nos conduzindo a uma fossilizada e orgulhosa ignorância dos que sentem, dos que imploram Vida; já numa empáfia que lhes impede a mínima compreensão dos que ainda sabem sentir a beleza dum mar (os outros viventes nem o vêem, senão a nível económico ou político), dum céu azul, dum Sol dourado; o encanto da Vida mergulhado na afectividade que alimenta e dá Vida!…

Confio que tanto sofrimento causador de tanta doença maléfica se irá dissipando lenta e gradualmente; as nuvens tenebrosamente negras ir-se-ão diluindo e um dia … um dia … não sei quando, um Sol dourado de Vida brilhará num céu azul derramando os seus raios para uma humanidade humanizada!

 

 

Gia Carneiro Chaves

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