Tenho abordado muitos temas científicos, sem poder dar-lhes o
conteúdo profundo que desejaria, temas mais notoriamente fisiológicos, orgânicos,
embora provando que factores de ordem psíquica deterioram o corpo. Mas nem sempre essas
mesmas causas psicológicas, como especificamente a falta de afecto, provocam somente
anomalias orgânicas.
Por vezes o factor emocional deriva para outro tipo de reacções,
originando outras consequências como auto-compensações deformadas e deformadoras, com
todas as manifestações prejudiciais não só ao indivíduo como também à sociedade.
Nessas Somatizações psicogénicas por autocompensação
poderemos enumerar, entre outras, a Onicofagia, a
Dislalia,
a Pseudolalia (hábito incontrolável de mentir), os
Tiques,
a Cleptomania, a Homossexualidade, a Toxicomania
e a Bulímia.
Comecemos pois pela Onicofagia - que não é mais que o
hábito de roer as unhas, e que na realidade não é uma questão tão simples como a
nossa sociedade a considera. Não é um simples hábito como empiricamente se afirma, mas
um sintoma de alguma perturbação na sua estrutura psicológica. Este aparente hábito
inicia-se com um processo emocional conflituoso, inconsciente por vezes, especialmente
tendo como causas primordiais a falta de atenção dos pais, que se limitam na sua
azáfama quotidiana, a alimentar as crianças organicamente o melhor que podem e sabem, a
preocupar-se por vezes com muita ansiedade com a higiene e o melhor vestuário que lhe
podem dar. Mas ... tão cheios de procupações laborais e domésticas, tão apressados
nos seus horários, muitas vezes condicionados por programas televisivos, que ignoram os
olhares suplicantes e chamativos das suas crianças, os seus chamamentos de atenção por
vezes agessivos e incomodativos, que originam as reacções não desejadas, como
críticas, ralhos e gritos. Por vezes os conflitos surgem entre o casal, que extravasam em
discussões testemunhadas pelas pequeninas mentes amedrontadas!
Por estatísticas bem comprovadas estas situações têm aumentado de ano
para ano, provocando nas crianças insegurança, instabilidade psíquica e medos ... que,
através duma forte ansiedade, gera o mecanismo motor e os dedos são levados à boca num
chamamento de atenção e num sistema de autocompensação. As unhas, nos seres humanos
com continuada onicofagia, acabam por ser inexistentes, situação que se pode prolongar
pela idade adulta, o que é de considerar como bastante grave. A ansiedade é uma
constante gerando angústias incontroláveis.
Actualmente a onicofagia está bastante alastrada e, por vezes, é
acompanhada de tiques e manifestações gestuais semelhantes. Considera-se a nível
científico que o acto de roer as unhas é também um mecanismo de defesa, uma forma de
agressão, uma reclamação contínua de atenção e de afecto. Quando os ingredientes
psíquicos afectivos adequados são ministrados, as ansiedades, inseguranças e medos vão
gradualmente desaparecendo, e o hábito de roer as unhas é esquecido.
Não só em criança pode surgir este desagradável processo.
Responsabilidades excessivas para além das potencialidades e capacidades do indivíduo,
que criam os medos e angústias, podem gerar a onicofagia que surge em qualquer estado
etário, como forma de agressão inconsciente contra quem lhe imputa essas
responsabilidades excessivas, e assumidas conscientemente pelo indivíduo, convicto que é
o que quer, até por uma auto-afirmação ou inflacção do Ego.
Toda a carência profunda de afectividade, de compreensão, de atenção,
gera uma angustiante ansiedade que afecta as estruturas psíquicas.
A onicofagia expressa sempre um desequilíbrio emocional.