sol.JPG (17680 bytes)Suicídio
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SUICÍDIO

Depois de muitas opiniões e consultas dos visitantes do site sobre suicídio juvenil, do qual já foi escrito um artigo, suicídio de idosos, de doentes mentais, etc. decidi escrever sobre este tema duma forma generalizada, embora respondesse longamente à maioria dos que questionaram este tema.

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Estudos sobre o suicídio têm demonstrado que a maioria das pessoas que o cometem estão em grave e profunda depressão. Alguns especialistas consideram que o ponto de maior risco de suicídio não coincide com o auge da depressão, geralmente marcado por letargia e uma tremenda lentidão de raciocínio, mas sim na fase seguinte, em que a inactividade começa a tornar-se menos acentuada. O suicídio não conhece fronteiras e ocorre em todos os estratos sociais. Em todo o mundo suicidavam-se diariamente mais de 2000 pessoas (estatística analisada a partir de 1985). Este número vai aumentando gradualmente de ano para ano numa grande proporção nos últimos cinco anos. No entanto os analistas duplicam ou triplicam esse número pelo facto de muitos suicídios serem considerados como acidentes.


Mais de 90% dos suicídios verificam-se em resultado de múltiplas doenças psíquicas ou psiquiátricas. Cerca de 15% dos suicidas sofrem de depressão como já afirmei, em que a desmotivação de Vida é insuportável, e torna-se imbatível o não querer viver. A pessoa perdeu toda a capacidade energética e a Vida não tem o mínimo sentido ou interesse. Cerca de 7% sofre de dependência alcoólica. Cerca de 5% sofrem dos mais graves distúrbios de personalidade sendo o mais vincado no maior número de suicídios o Distúrbio de personalidade anti-social, vindo depois o distúrbio de personalidade do tipo esquizóide, que poderá vir a desenvolver uma esquizofrenia, e uma pequena percentagem sofre de uma ou de outra forma de neurose.

No entanto há a considerar que muitos suicidas com patologia mental, foram génios de grande criatividade e legaram à humanidade fabulosas obras. Temos o exemplo de Vincent van Gogh. Também, além de tudo, era um profundo desajustado, até injustiçado, um inadaptado ao mundo humano, um sofredor que o levou ao suicídio aos 37 anos. E como ele tantos outros…

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Vincent van Gogh, auto-retrato (1887)


O suicídio é muitas vezes uma solução patológica para um angustiante problema que a pessoa considera intransponível, como o isolamento social, as dolorosas injustiças, ingratidões, maus tratos, violências psíquicas a vários níveis, um lar que se desfez durante a infância, situação altamente traumatizante, cuja ferida se arrasta numa dor insuportável e culmina mais tarde numa depressão gravemente patológica que conduz ao terminus da Vida; uma doença física grave, o desemprego, a toxicodependência, o envelhecimento que não se aceita, etc.

Além da grande parte da juventude profundamente desorientada, desmotivada, e precocemente envelhecida, cansada a nível psíquico de pressões ou abandonos que se têm acentuado ao longo dos últimos anos, também a incidência dos suicídios atinge em enorme percentagem os idosos, que se sentem em grande maioria abandonados, consideram-se inúteis, muitas vezes incapacitados, afectivamente solitários, já sem esperança … de Vida! No entanto insisto, tem-se observado mais notoriamente um aumento sensível da taxa de suicídios na população jovem.

Ácerca do isolamento social alguém me consultou via Net sobre a incidência de suicídios em idosos numa média de 4 por semana, numa povoação relativamente pequena e um tanto isolada e pedia-me ajuda em orientação.

Na realidade lugares mais isolados em que a população é na maioria idosa, a solidão é duma angustia sufocante que arrasta a depressão grave. A comunicação do que cada um sente e pensa torna-se cada vez mais difícil, uma vida de rotina é uma constante, sem motivações que quebrem um dia a dia que se arrasta. Uma desesperada tristeza interior vai corroendo até ao verdadeiro desapego de Viver. Não só nas povoações solitárias existem estes sintomas psíquicos em idosos, nos grandes centros populacionais há vivências idênticas, e estas com consciência dos mais novos!

Alguém me pede para relacionar o suicídio com a esquizofrenia. Não me poderei debruçar tão longamente sobre a esquizofrenia como fiz no esclarecimento pedido, mas como acho de interesse geral e está dentro do tema suicídio, gostaria de transmitir o mais que me fôr possível.

A esquizofrenia é um agravamento de trágicos distúrbios da personalidade, como distúrbios da personalidade múltipla e distúrbios dissociativos, resultantes de uma mente dissociada; mas os mais vincados são os já mencionados atrás. É uma doença psiquiátrica, pertencente ao grupo das psicoses, incapacitante e de evolução prolongada. Actualmente é uma doença relativamente comum, pois anualmente regista-se um caso em cada mil pessoas.

Esta psicose atinge jovens entre 18 e 30 anos com alteração gradual e profunda do comportamento. Nos momentos de depressão mais grave são vítimas de uma desmotivação de Vida insuportável, e torna-se obsessiva a ideia da morte.

Nunca aceitam a sua realidade, e são os familiares e os que estão a viver mais perto, os culpados segundo a sua mente tão perturbada, levando-os a odiar a quem na realidade mais dependem, como pais ou mulher com quem vivem. O suicídio é cada vez mais frequente no esquizofrénico e em maior percentagem ainda no início da doença.

 

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Antoine Wiertz, O Suicídio (1854)

O suicídio efectivo é mais frequente entre homens, embora as tentativas de suicídio sejam mais comuns entre as mulheres. O estado civil é também um indicador importante: o suicídio é mais comum entre os indivíduos divorciados, em que os distúrbios da personalidade se acentuam com os mais ou menos graves conflitos psíquicos e intrapsíquicos, seguido de solteiros, muitas vezes com sofridas frustrações nas buscas sentimentais como único sentido de Vida; e também é vulgar o suicídio nos viúvos. É mais raro entre os casados.


Uma das falsas crenças referentes ao suicídio, sustenta que as pessoas só falam antecipadamente dele quando não estão em risco de o cometer mas na realidade muitas pessoas que se suicidam ameaçam com frequência que tencionam fazê-lo. Os familiares e os amigos devem levar a sério essas ameaças.

Os suicidas sentem-se sempre e invariavelmente desesperadamente incompreendidos e sós, mesmo rodeados de gente, desfasados e desencontrados de si mesmos, inadaptados e profundamente frustrados e desiludidos.

Aproveito para enviar uma poesia disparada em jacto duma alma desajustada, escrita entre os 15 e 16 anos, de alguém que não entendia o mundo que ia encontrando e sentia-se com essa tremenda ânsia da morte. A meu ver, neste Agora concordo que pode ser um gesto de cobardia para fugir ao que se recusa aceitar, e cujos ideais estão para além de uma vida comezinha, rotineira de um quotidiano pressionante e vazio dos ideais que acalentava. Agora acredito que a Vida é algo que vale a pena, e os ideais podem tornar-se realidades vividas … só que os momentos do mais alto desespero e desencontro conduzem ao desapego total de tudo. Por achar bem ajustado este poema ao tema "Suicídio", quebrei a monotonia da prosa e saliento o sofrimento desesperante duma adolescente que poderia ter tentado algum dia o suicídio!

 

A noite fria e escura
Reina no firmamento …
A noite imensa perdura
Pungente tal um lamento,
Acerba como a amargura!…
Domina e amarra a minha alma
Como ciclópica mordaça,
Numa tenebrosa ameaça
De jamais vir a ter calma …

 

Desloco-me em medonha escuridão
Sem um raio de luz que me guie …
Morre, morre já meu coração.
Nada sinto, nada vejo …
É o Nada à minha volta
É a morte que procuro em vão!
Oh! Morte! Vem ceifar esta Vida …
Oh! Morte vem buscar
Uma existência que se arrasta,
Num caos imenso, sem saber
Como se há-de orientar
Como poderá Viver?!


Chamo-te a toda a hora
Numa ânsia feroz
De acabar sem demora
Uma Vida, sem Vida …
Nada mais me resta
Senão a tua companhia
Oh! Morte …
Nada mais quero
Senão a tétrica alegria
De ter a sorte
De ver esta Vida findar …
Que passa como uma noite
Fria e escura
Acerba como a amargura!…

 

Se encontram alguém com quem tenham a oportunidade de falar num gritante desabafo dum sufoco insustentável, que os escute, os compreenda e lhes mostre a Vida com carinho é por vezes suficiente para evitar o acto.

A seguir a uma ameaça de suicídio, a família e os amigos devem subtilmente eliminar todos os meios óbvios de o cometer e proceder a uma vigilância disfarçada sobre a pessoa. Não se podem considerar essas ameaças chamamentos de atenção. Por vezes pode seguir-se uma tentativa de suicídio.

 

É considerada tentativa de suicídio qualquer acto não fatal de auto-mutilação ou de auto-envenenamento. A intenção da morte não deve ser incluída na definição, pois não é muitas vezes manifestada; a gravidade da tentativa de suicídio deve antes relacionar-se com a "potencialidade autodestrutiva" do método utilizado, com a probabilidade de uma intervenção salvadora de terceiros.

Assim, muitas tentativas de suicídio (também chamadas parassuicídios) desenrolam-se num contexto onde é previsível ou possível o socorro, pelo que devem ser consideradas no mínimo, como gritos desesperados de socorro emitidos por pessoas em extrema aflição.

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Edvard Munch, O Grito (1893)


As pessoas que fazem tentativas de suicídio constituem um grupo sociologicamente diferente do daquelas que de facto se suicidam.

A tentativa de suicídio é três vezes mais vulgar nas mulheres que nos homens e atinge a sua incidência máxima entre os 15 e 30 anos em pessoas solteiras ou divorciadas.

O maior risco verifica-se em pessoas que vivem em Zonas urbanas pobres, em indivíduos com distúrbios de personalidade e entre alcoólicos e toxidependentes.

O que origina mais normal e vulgarmente o acto são separações do parceiro sexual, a morte dum ente querido, preocupações financeiras, e outras situações que conduzam a depressões.

Todas as tentativas de suicídio devem ser encaradas com seriedade, pois das pessoas que tentam suicidar-se 20 a 30% fazem nova tentativa dentro de meses e 10% acabam por matar-se.

A base do tratamento consiste em providenciar apoio imediato, ajudar a pessoa a resolver as dificuldades que precipitaram a tentativa e só depois tratar a depressão ou outro distúrbio mental subjacente.

 

Caros visitantes:

Era bom lerem o que escrevi acerca do suicídio, pois compreenderiam melhor o apelo desta rapariga que pede para dar a conhecer a sua angustiante decisão. Claro, que lhe respondi imediatamente desejando com toda a minha alma que ela compreendesse e aceitasse a minha mensagem. Apelei para que me respondesse; se não vier resposta...

Segundo o seu desejo transcrevo o que recebi.

 

Rio de Janeiro, 13 Junho 2005

"Vivo um grande drama insolúvel, perdi minha companheira, a quem eu considerava a minha própria vida...

Ela me traiu com outra, me deixando sem razão para continuar, pois a minha vida só faz sentido ao lado dela...

Passei a não me interessar por nada... não gosto das pessoas... vivo sozinha, isolada, aos poucos estou abandonando tudo.

Tenho que enfrentar isto sozinha, pois sou homossexual e minha família condena minha opção...

Já comprei uma arma e já programei o dia em que partirei; tirei uma escritura que autorize a cremação do meu corpo e paguei os funerais antecipadamente... estou apenas aguardando resolver uma situação pessoal onde deixarei minha mãe como minha dependente para que ela possa receber a minha pensão, para mais tarde não dizer que nunca fiz nada por ela.

Gostaria que contasse esta história a pessoas que ainda têm uma chance de não cometer essa loucura. Estou ciente de que esta não seja a melhor solução, porém para mim a vida se tornou uma grande tortura, nada é pior que viver...

Um abraço. Obrigada por me ouvir."

 

 

Gia Carneiro Chaves

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