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Tenho sempre estimulado a Vida, nas suas mais variadas manifestações, mas … alguém me recordou que existe também a morte, nas suas diversas facetas, e que era bom escrever acerca duma das mais trágicas formas que marcam o fim da existência:

 

O Suicídio – O Suicídio Juvenil

O suicídio a nível geral é uma das mais graves consequências dos que vivem a nível psíquico seriamente perturbados. A tensão nervosa quando envolve conflitos intrapsíquicos de gravidade muito acentuada, transtorna tão alucinadamente o psiquismo, que a pessoa vê a morte como única solução. De nada valem as riquezas materiais, a fama e glória, quando interiormente se vive no tédio, numa amargurante angústia sem encontrar solução nem saída para esses estados psíquicos.

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É muito comum o suicídio de artistas famosos, que deslumbraram multidões, que lhes parecia tudo possuírem … mas seguramente viviam numa insatisfação interior, porque não era certamente o que tinham, aquilo que psicologicamente necessitavam, e levou-os a perderem o sentido de Vida! Os suicídios verificam-se frequentemente em idades que marcam fronteiras na existência: a puberdade, a adolescência, e entre a maturidade e a velhice. Por vezes as tentativas de suicídio são preparadas inconscientemente de tal modo que o suicida pode ser salvo a tempo. É deveras lamentável que a mais drástica consequência da trágica desmotivação de viver aumente numa dimensão assustadora de ano para ano. As estatísticas nos Estados Unidos revelam que desde a década de 50 o índice de suicídios entre os indivíduos dos 15 aos 24 anos quase triplicou.

Considera-se o suicídio como a terceira causa de morte nestas idades, depois dos acidentes e do homicídio. Um profundo estudo igualmente realizado nos Estados Unidos demonstrou que 50% de todas as tentativas de suicídio entre os adolescentes são realizadas como consequência do mau ambiente familiar. O desamor entre a humanidade, iniciado na célula de qualquer sociedade – a família (a hiperprotecção não é sinónimo de afectividade, é o controle e frequentemente a origem da perca das energias vitais); os conflitos que geram conflitos; as agressões físicas sobre as crianças; os gritos apavorantes com que as repreendem (uma forma de libertar os adultos frustrados e desencontrados das suas misérias interiores), provocam uma grave desorganização na personalidade em crescimento na criança, e desequilibra duma forma contínua o seu sistema nervoso central. Uma grande parte dos jovens foi gradualmente perdendo o sentido de Vida, a motivação na actividade estudantil, e caminham sob pressões e opressões numa insegurança e instabilidade, quantas vezes sem rumo!… O abandono afectivo auto-compensado com dádivas materiais … que saturam e insatisfazem ao longo do tempo, chantagens emocionais que culpam, uma tendência educacional orientadora e criadora duma auto-imagem, que confunde e desencontra o indivíduo do seu "Eu", as exigências familiares a nível escolar como os mais supremos valores a ostentar, sem se aperceberem do estado psíquico do jovem que afecta indubitavelmente a actividade intelectual, bloqueando a concentração e a memorização. Todas estas causas e muitas mais originam uma desorientação, um desequilíbrio emocional, uma premente necessidade de fuga à realidade, a um aturdimento amolecedor da mente.

Alguns psicanalistas afirmam que o suicida adolescente não se apercebe totalmente da natureza da morte, e para ele o suicídio é um grito angustiantemente desesperado que reclama ajuda e atenção ou também uma forma de vingança sobre o mundo que o torturou e o lançou no caos.

Estudos sobre o suicídio têm demonstrado que muitos e muitos jovens estão em estado de depressão profunda. Psiquiatras e psicanalistas consideram que o ponto de maior risco no suicídio não coincide com o auge da depressão, situação psíquica caracterizada por desmotivação, desinteresse, por uma letargia e lentidão de raciocínio, um adormecimento em relação à realidade, que o jovem gradualmente procura ignorar, mas sim o maior risco inicia-se quando a inactividade começa a tornar-se menos acentuada. A realidade que rejeita começa a vislumbrar-se e a necessidade de fuga ou de chamamento de atenção é mais radical. A ideia do suicídio começa a agravar-se e a apoderar-se cada vez com mais força da mente do jovem em perfeito estado de revolta e solidão. A ausência de diálogo, por causas variadas, habita em quase todos os lares, afectando profundamente os jovens na puberdade ou na adolescência, que existem como ilhas separadas por correntes dos restantes elementos, que em ilhas também se tornaram!!!

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É quase tabu dialogar sobre os sentimentos que intrinsecamente afectam melhor ou pior a alma de cada um! As tentativas de suicídio constituem advertências para aqueles que estão à sua volta, desvendam uma grave doença psíquica e testemunham profundas carências de Amor!

Inconscientemente o suicida quer castigar aqueles por quem se sente mal amado. Ele tenta arrastar o "outro" ou outros na sua morte. Tem uma necessidade de culpar, por vezes inconscientemente, porque a revolta, a rebelião tormentosa não dá tréguas. Temos como exemplo Vicent Van Gogh que já em criança e depois na adolescência atingiu o auge do sofrimento humano que se prolongou incessantemente … até perder a lucidez e atingir a loucura.

Quantos adolescentes de hoje atingem o esgotamento psíquico e perdem por vezes também a lucidez mental?!!! Van Gogh entre um período de lucidez e as descompensações da doença que o levaram a matar-se escreveu: "O suicídio faz com que os amigos e familiares se sintam seus assassinos".

Situação de grande risco que pode conduzir também ao suicídio é a toxicodependência, que já por si é um processo lento e desesperado de suicídio. Esta forma macabra de terminar com a existência não conhece fronteiras e ocorre em todos os estratos sociais. Em todo o mundo suicidam-se diariamente 2000 pessoas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número oficial de mortes por suicídio é de 30 000 por ano ou quase 100 por dia.

É curioso saber que as mulheres quer adolescentes ou adultas fazem 3 vezes mais tentativas de suicídio que os homens. No entanto de um modo geral, é mais grave no sexo masculino, porque, por razões ainda não inteiramente esclarecidas o homem tem tendência a matar-se com armas de fogo, afogamento, por enforcamento, ou saltando de grandes altitudes, enquanto que o sexo feminino recorre mais ao envenenamento.

A nível genérico podemos considerar outras causas que levam num acto desesperado e por vezes irracional ao acto do suicídio, como situações de traição e infidelidade que abalam a estrutura arquitectónica da Confiança, alicerce fundamental onde se sustenta o castelo dos sentimentos afectivos, fragilizam, destabilizam e por vezes destroem a afectividade dada confiantemente, conduzindo o indivíduo à desmotivação absoluta de qualquer sentido de Vida!

Responsabilidades de ordem material como chefes de família em ruína monetária, jogadores demasiado pressionados para o pagamento das suas dívidas, e sem controle, etc., transportam as mentes desorientadas sem mecanismos de defesa à fuga às responsabilidades existenciais, ao sofrimento e sentem que só têm o recurso da morte.

Quando o Homem aprender a quebrar amarras inúteis preconceituais, convencionais, materiais que o tolhem, o aprisionam e o escravizam (acabando por não ser mais que prisioneiro e escravo de si próprio); quando o Homem aprender a enfrentar os seus medos, e só assim os poderá destruir; quando o Homem se interrogar: Porque corre desenfreada e ansiosamente na caminhada existencial? Para que corre? Para onde corre?!!! sem se deter para desfrutar da quietude dum entardecer rubro, o odor duma mata, o sabor duma Natureza despoluída, … ou um sorriso pleno de feliz ingenuidade duma criança, e tanta coisa bela, reconfortante que o Universo Infinito presenteia! A humanidade a nível geral, doente psíquica, nunca tem tempo, não há tempo!!! Para quê?!… tenho que … tenho que … tenho que … violentando-se a cada passo, mas na sua maioria plenamente convencida que segue a rota certa na corrida da sobrevivência desencontrada da essência da Vida! E um dia … o Homem repara: "Esqueci-me de Viver", e nesta atitude mental jamais poderá, porque não saberá ensinar as suas crianças, os seus jovens a Arte sublime de Viver! Todas estas situações são formas de morte, morte psicológica lenta e confrangedora … não souberam alimentar a Vida dos sentimentos afectivos e são eles nas suas mais variadas expressões a Vida que dão sentido ao Viver.

Quando o Homem quiser aprender a Viver o suicídio, suicida-se!

Gia Carneiro Chaves

 

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