sol.JPG (17680 bytes)Filhos Super-protegidos
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SOU FILHO DO UNIVERSO!

SEREI?!

 

    Hoje vou tratar dum assunto assaz melindroso, o qual sentimentalmente poderá afectar quem lê, mas a nível psico-científico é comprovadamente uma realidade: as relações e afecções originadas em filhos superprotegidos, especialmente em filhos únicos.

   G. Stanley Hall, notável psicólogo americano afirmava que "ser filho único é em si mesmo uma doença". Esta afirmação tão radical poderá ser analisada com muita percentagem de verdade a nível psíquico.

   A nível socio-económico tem a vantagem dos pais dos filhos únicos poderem concentrar os seus recursos de tempo e especialmente de dinheiro num único indivíduo tornando-lhe tanto quanto possível a caminhada existencial demasiado fácil, tornando-os frequentemente egocêntricos, caprichosos. Parecem possuir tudo, toda a superprotecção e apoio material, mas à medida que crescem, na generalidade instala-se no seu íntimo um vazio, um não sei quê de inquietude e insatisfação.

   Os pais são para os filhos os referenciais mais poderosos de apoio e segurança. Há que cuidar dessa confiança, alicerce sólido, para um crescimento normal, evitando primeiro discussões e conflitos em frente da criança, o que a torna insegura e desprotegida; entrar em desacordo, em desautorização no processo educacional utilizado. Não lhes mentirem. Há sempre uma explicação com base verdadeira, seja para o que for, adaptada a uma mente infantil, cuidando especialmente esta situação entre os 2 e 5 anos, período de tempo em que as impressões se gravam mais profundamente na mente. Não mentir, nem sequer com o pretexto que a criança não entende … ela entende e sente além de nós. A perda de confiança nos seus mais poderosos referenciais é conduzi-la um dia também à mentira, à insegurança (as fontes seguras de apoio falharam), e a uma rebeldia que poderá afectar ao longo da vida.

   A criança é um verdadeiro radar, capta o real, mesmo parecendo distraída. Muitas vivências captadas passam à pantomnésia do inconsciente, e depois podem cair no esquecimento consciente. Mais tarde as situações traumáticas originadas nas infâncias remotas criam personalidades distorcidas, mentes confusas e desencontradas.

   Nunca repreender, nem castigar uma criança na presença de outrem, mostrando a quem está a causa do castigo, que poderá não ser tão justo … à semelhança da mente confusa e deformada que o aplica. É deveras humilhante e revoltante receber uma reprimenda em público. São normas da psicologia educacional tão básicas, mas tão importantes para o desabrochar no crescimento da criança, noções que o conduzem à construção, ou à destruição. Normalmente os filhos únicos, ou até filhos mais novos na hierarquia familiar ou os que sofrem de superprotecção, são mais mimados, criam-se-lhes laços excessivos de dependência, que podem ser reforçados e explorados mais conscientemente pelo próprio a fim de conservar o seu estatuto de favorito.

   A superprotecção num contínuo control é dar à criança o que ela não necessita. As consequências são tristes. Regra geral cria nas crianças muito inteligentes um anseio premente de independência e libertação, que as conduz a caminhos desencontrados dos seus reais anseios. Os menos inteligentes, mais amedontrados, que não vivenciam tão fortemente a rebeldia, acomodam-se, anulam-se e seguem dependentes, inseguros e permanentemente angustiados.

   Quantas mulheres frustradas sentimentalmente, afectivamente solitárias fixam-se no filho, ou filhos, como propriedade, é seu, são seus … é o que têm para minimizar a solidão de amor. Por vezes a filha é bem pequena, na sua infância ainda, e torna-se a confidente da mãe, da mulher, criando um mundo de culpas contra o pai.

   O filho, ou filha única suportam todas as cargas e, tendo tudo … por vezes nunca tiveram infância, viveram em função da problemática mãe solitária ou queixosamente doente, nem dormindo inquietas com o que pode acontecer. Passaram os primeiros anos sem infância tentando entender, mas preocupados ansiosa e angustiadamente com problemas que lhe deviam ser afastados.

   Simultaneamente há a desastrosa superprotecção, em que a criança nada tem que ajudar, porque está tudo feito, não há responsabilidade de tarefas, há um control ansioso, um cuidado excessivo, que incomoda por vezes e que a jovem mais tarde tenta fugir.

   Os filhos mais tarde podem tornar-se indolentes, exigentes, inseguros mascarados com atitudes de arrogância, pouco responsáveis, egoístas, sem defesas psíquicas e sempre fixados especialmente na mãe como referencial seguro onde se podem acolher. Podem, e acontece frequentemente, tornarem-se adultos insatisfeitos, complexados, infelizes e facilmente sujeitos a neuroses depressivas.

   Todas estas situações são de análise com base na ciência psíquica. Porém os pais não fazem melhor por ignorância somatizada ao longo de séculos. A ignorância da psicologia educacional é a causa primordial de muitas enfermidades psíquicas que podem desencadear graves psicossomáticas.

   Dar existir não significa dar Vida, é necessário aprender a ciência única – a ciência do psiquísmo – que conduz ao encontro do verdadeiro "Eu", à afinidade vibratória com os sentimentos nobres com que cada ser humano nasce e pode desenvolver. E talvez a Paz pudesse um dia ser uma realidade vivida e sentida na generalidade do Universo Humano.

   Muito mais, mas muito mais teria para dizer …

Gia Carneiro Chaves

 

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