sol.JPG (17680 bytes)Tiques
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Nem sempre a falta de afecto provoca anomalias orgânicas. O factor emocional em desequilíbrio origina as somatizações psicogénicas, por auto-compensação (já focalizei a onicofagia), e hoje debruçar-me-ei sobre os Tiques.

É vulgar observar pessoas que piscam os olhos continuadamente, outros que têm espasmos no pescoço, que abanam a cabeça, manifestam contracções involuntárias na face, que cospem assiduamente, que fazem esgares parecendo caretas, que levam a mão continuamente ao cabelo, que sacodem os ombros e muitos outros gestos anómalos. Todas estas manifestações não são mais do que Tiques.

A grande maioria dos tiques são transitórios. Surgem habitualmente entre os cinco e oito anos e atingem com maior frequência os rapazes sobretudo na idade da pré-puberdade.

De um modo geral aparecem na sequência duma perturbação familiar: separação dos pais, morte de alguém a quem de perto assistiram, atitudes dos adultos que alarmam e amedrontam, nascimento dum irmão que a criança rejeita, e outros conflitos psicológicos provocados pelo meio ambiental. Tanto os pais hiper-protectores como em contrapartida os demasiado rígidos e hiper-exigentes provocam deformações graves no crescimento interior das crianças que as levam a viver angustiada e ansiosamente qualquer fracasso escolar, o medo de desagradar aos pais, o pavor dos ralhos e gritos e todos os mecanismos distorcedores da verdade psíquica do indivíduo, da formação da sua personalidade, mecanismos que se geram no meio ambiental humano.

Os tiques aumentam sob a influência das emoções, desaparecem normalmente durante o sono, e atenuam-se quando tudo está calmo. Frequentemente estes gestos anómalos provocam a ironia e troça dos colegas de escola e até dos próprios familiares ignorantes. Os tiques, que tanto complexam quem os transporta, podem ser indício de alguma infelicidade, dum conflito emocional incontrolável, uma espécie de reclamação, dum aflitivo chamamento de atenção ... ou até segundo o Dr. Jaques Thomas um chamamento de socorro! O inconsciente reclama, nutrientes que alimentem e harmonizem o Ser interior ... até que ... com a passagem do tempo sem ninguém escutar ou entender os chamamentos de atenção, os tiques instalam-se comodamente e dominam, como um hábito, o comportamento do indivíduo.

As mesmas causas produzem naturalmente efeitos diferentes nas diversas estruturas psíquicas.

As crianças sujeitas aos tiques são em geral muito emotivas, vulneráveis, ansiosas e medrosas: medo do escuro, de ficarem sozinhas, de mudar de escola ... um exército de medos criados pelo meio ambiental, onde a ignorância impera e a inconsciência do sofrimento provocado são constantes! Temem assustadoramente os castigos e são em geral muito dependentes das mães.

Normalmente os tiques podem estar associados a outros distúrbios: insónia, gaguez, certas incapacidades geralmente induzidas pelos adultos, enurese, etc. Por vezes um tique surge após uma doença real, como, depois duma constipação a criança ou mesmo um adolescente continua a fungar e a tossicar para ter o privilégio da continuidade das atenções de que beneficiou durante a doença. Também há o tique por imitação: uma criança pisca os olhos ou sacode uma madeixa de cabelo como faz o seu amigo predilecto.

São considerados tiques menores, mas se persistirem para além dos seis meses de prática é caso para preocupar, pois pode ser indício duma neurose. Convém saber que os castigos e as ameaças não fazem senão agravar as perturbações existentes e também é inútil prometer presentes ou dinheiro que aliciam a criança. Nem por este tão deseducativo processo ela consegue dominar os tiques involuntários que se manifestam em perfeita liberdade. A superprotecção é também nefasta à supressão do tique; pelo contrário é imprescindível o encorajamento às possibilidades e válidas capacidades do indivíduo, valorizando-o, estimulando-o no caminho da independência e de autonomia. Está provado, que na generalidade as crianças ou jovens que sofrem de tiques têm pais autoritários ou mães de extremos exageros ou exigências tanto numa hiper-protecção e controlo asfixiantes, como criar com exigência e críticas responsabilidades para além da maturidade da criança, o que conduz a angustiantes medos continuados de nada conseguir de bem feito, de minimamente perfeito. Frequentemente juntam-se as duas situações.

Felizmente há formas de tratar ou atenuar o problema. Consoante a precocidade ou a forma do tique estabelece-se a psicoterapia adequada à criança ou ao jovem ou ao adulto. Outros processos muito eficientes são técnicas de relaxamento. Pois o indivíduo possuidor de tiques está geralmente muito tenso.

Gia Carneiro Chaves

 

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